Título: Família de Ingrid pede empenho do Brasil
Autor: Netto, Andrei
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/02/2008, Nacional, p. A22

Para parentes da refém, que completa hoje 6 anos de cativeiro, Lula pode destravar diálogo com as Farc

O ato que marcou ontem, em Paris, o sexto aniversário do seqüestro da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, de origem franco-colombiana, teve o Brasil como centro das discussões. O consenso entre intelectuais, políticos e familiares da refém é de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é o único com livre trânsito entre os líderes políticos da Venezuela, da Colômbia, dos EUA e da Europa - visto como premissa para o acordo entre Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

De acordo com o ex-marido de Ingrid, o diplomata francês Fabrice Delloye, Lula seria essencial na negociação. Ele diz que o brasileiro deixou claro ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante reunião na Guiana Francesa, há dez dias, que aguarda apenas um sinal de Uribe para se envolver nas negociações. ¿É preciso que o presidente colombiano aceite escutar a comunidade internacional, que exige um acordo humanitário¿, disse Delloye, pai dos dois filhos de Ingrid, Mélanie e Lorenzo.

O encontro contou com a presença da ex-senadora colombiana e ex-refém Consuelo González - libertada pelas Farc em janeiro, junto com a assessora de Ingrid, Clara Rojas -, além de Mélanie e intelectuais franceses. Consuelo também falou sobre a importância do envolvimento do governo brasileiro nas negociações e se disse otimista quanto às chances de um acordo para a libertação de mais reféns. ¿Trata-se de algo que superou todas as fronteiras nacionais¿, disse. O aniversário do seqüestro é hoje, quando familiares de Ingrid devem se reunir com o presidente Sarkozy.

Em Bogotá, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse que a inteligência colombiana já localizou o acampamento das Farc onde estão os quatro reféns que a guerrilha estaria disposta a libertar em breve: os parlamentares Glória Polanco, Luis Eládio Pérez, Orlando Beltran e Jorge Eduardo Gechem. Santos, garantindo que não haverá uma tentativa de resgate militar.

Pouco antes, um funcionário do governo colombiano revelou que durante encontro na quinta-feira com o chanceler francês, Bernard Kouchner, Uribe descartou a possibilidade de voltar a autorizar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a mediar o diálogo com as Farc.

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