Título: Marcílio deixa presidência da Comissão de Ética
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/02/2008, Nacional, p. A9

Embaixador se afasta após dois meses de espera pela demissão de Lupi, que é ministro e comanda PDT

Incomodado com a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em acatar a recomendação da Comissão de Ética Pública de demitir o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o embaixador Marcílio Marques Moreira pediu ontem afastamento da presidência do órgão. A comissão vem cobrando reiteradamente a saída do ministro, pelo fato de ele acumular o cargo com a presidência do PDT.

Para o posto de Marcílio foi eleito o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence. Ele deu sinais de preocupação, já que o colegiado aguarda há dois meses a demissão. Indagado sobre o que ocorrerá se Lula não demitir o ministro, Pertence respondeu: ¿É claro que não será agradável. Não vou mentir que será agradável. Mas é um problema a ser tomado diante do fato.¿

Marcílio disse estar convencido de que Lula ¿em breve¿ apresentará sua posição sobre o caso. ¿É importante para o governo uma solução. Este assunto merece uma decisão final.¿

Questionado se a comissão se sentirá desprestigiada se Lula ignorar a recomendação ou se recusar a cumpri-la, Marcílio evitou o confronto: ¿A comissão tem apenas autoridade moral. Não tem nenhuma força e isso me lembra o Stalin, perguntando quantas divisões teriam. Não temos nenhuma tropa não. Temos apenas nossa consciência e nossa autoridade moral.¿

O embaixador assumiu o cargo no dia 19 de março do ano passado e a regra é que ficasse pelo menos um ano no posto. Desde que o caso Lupi veio à tona, porém, Marcílio vem sendo duramente criticado pelo Planalto. Seu mandato como integrante da comissão termina em 5 de maio. Indagado se deixará o grupo, ele fez suspense: ¿O futuro a Deus pertence.¿

Dando mostras de que a situação de Lupi só se agrava e não estão dispostos a amenizar esse posicionamento, os integrantes da comissão decidiram mandar um novo pedido de explicações ao ministro. Querem que ele preste, em dez dias, informações sobre a destinação de R$ 14,7 milhões a duas entidades - DataBrasil e Inesp - parceiras da Força Sindical, presidida por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), e sobre convênios do Ministério do Trabalho autorizando a destinação de R$ 50 milhões para entidades e pessoas ligadas a políticos do PDT.

DEFESA

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, saiu ontem em defesa de Lupi, dizendo que o ministro do Trabalho atua com imparcialidade no cargo. ¿Em outros países, a presidência de um partido credencia a indicação para um ministério. Ele atende a todos os partidos de forma suprapartidária¿, afirmou.

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