Título: Investimento é o maior desde 1947
Autor: Graner, Fabio; Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/02/2008, Economia, p. B3
Em janeiro, superando as expectativas do Banco Central, resultado dobrou e chegou a US$ 4,81 bilhões
Os investimentos estrangeiros diretos (IED) - recursos de estrangeiros aplicados na produção nacional - dobraram em janeiro e atingiram US$ 4,81 bilhões, o maior valor para o mês desde o início da série, em 1947, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC).
O volume superou ligeiramente a expectativa do Banco Central, que era de US$ 4,5 bilhões, e também ficou acima do teto esperado pelo mercado, segundo pesquisa da Agência Estado, que era de US$ 4,60 bilhões.
O resultado mostra que o IED no mês passado manteve o mesmo ritmo forte do ano passado. Mas, em fevereiro, essa conta está com um desempenho bem mais fraco. Até ontem, de acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, os ingressos no mês somavam apenas US$ 100 milhões.
A previsão para o mês, segundo Lopes, é de ingresso líquido de US$ 200 milhões.
O fraco desempenho de fevereiro, explicou Altamir, se deve a operações de retorno de investimentos que se concentraram no mês. ¿Apenas três operações foram responsáveis por retornos de US$ 1 bilhão nos setores de alimentos e comércio, o que faz com que o resultado não seja expressivo.¿ Apesar do forte volume de saída de recursos em fevereiro, o chefe do Depec disse que as perspectivas para o fluxo de IED neste ano são bastante favoráveis, mesmo diante das incertezas externas. Ele disse que uma revisão na estimativa do IED para o ano, de US$ 28 bilhões, só será feita eventualmente em março.
OTIMISMO
A economista-chefe do banco ABN Amro, Zeina Latif, também traça um cenário positivo para os ingressos de IED e prevê um fluxo da ordem de US$ 30 bilhões no ano.
Em janeiro, os setores que mais receberam investimentos estrangeiros foram serviços financeiros (US$ 947 milhões), metalurgia (US$ 659 milhões), comércio (US$ 355 milhões), produtos alimentícios (US$ 289 milhões e armazenamento e atividades auxiliares de transportes (US$ 219 milhões.
No acumulado em 12 meses encerrados em janeiro, o fluxo de IED soma US$ 36,977 bilhões, o equivalente a 2,80% do Produto Interno Bruto (PIB). Quando comparados ao período anterior, os dados mostram claramente o aumento do movimento de ingresso de capitais de risco na economia brasileira.
Nos 12 meses encerrados em janeiro do ano passado, o IED somava US$ 19,770 bilhões, o correspondente a 1,81% do PIB.
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