Título: Alta da commodity pesa e Ibovespa perde 2,56%
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Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2008, Economia, p. B1

Em mais um dia de tensão global, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a ter forte queda, de 2,56%, para 62.974 pontos. Isso derrubou o Ibovespa para o menor nível desde 19 de fevereiro. Em Nova York, o Índice Dow Jones perdeu 1,75% e a Nasdaq, 2,30%.

O mercado doméstico, que se valeu, em vários pregões, de um certo descolamento do internacionais, ontem não teve como resistir, sobretudo porque estrangeiros se desfizeram de posições para cobrir perdas em outros mercados. No ano, o Ibovespa acumula queda de 1,43% e, no mês, de 0,81%.

O investidor pôde escolher entre muitas razões para se desfazer de ações ontem. Foram várias más notícias, entre elas a de que a empresa de investimentos Carlyle Capital não conseguiu honrar alguns compromissos em mercados futuros.

O dólar fraco fez o euro e o petróleo atingirem novo recorde. A julgar pelas palavras do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, as perspectivas não são diferentes. Ele indicou que o BCE não cortará os juros tão cedo.

Outra má notícia foi que os números da inadimplência e das execuções de hipotecas nos EUA continuaram a piorar no quarto trimestre e atingiram recordes, sugerindo que os esforços para acalmar o turbulento mercado imobiliário não mostraram sucesso até agora.

A Associação dos Bancos Hipotecários (MBA, em inglês) informou que 5,82% dos empréstimos estiveram inadimplentes há pelo menos 30 dias durante o quarto trimestre. A execução de hipotecas subprime com taxas ajustáveis subiram 57 pontos-base, para 5,29% no quarto trimestre, enquanto as com taxas fixas subiram para 1,52%.

A sexta-feira também promete ser um dia de intensa volatilidade, principalmente por causa da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos referente a fevereiro. ¿Os investidores estão apreensivos¿, comentou o gerente do Departamento de Análise da Prosper Corretora, André Segadilha. ¿Se o número vier de acordo com as expectativas, há possibilidade de uma recuperação. Os preços estão atrativos.¿

Para o Brasil, a tendência segue positiva. ¿Não houve reversão de fluxo, apenas saída pontual, normal nesses dias de maior incerteza¿, comentou.