Título: Justiça manda invadir casa de ACM para listar bens
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/03/2008, Nacional, p. A9

A disputa judicial entre os parentes pela herança do senador baiano Antonio Carlos Magalhães, cacique do DEM morto em julho, atingiu seu ápice ontem. Munidos de autorização da juíza auxiliar da 14ª Vara da Família de Salvador, Fabiana Andréa Almeida Oliveira Pellegrino - mulher do deputado Nelson Pellegrino, do PT baiano -, nove policiais militares, dois oficiais de Justiça e quatro advogados da OAS invadiram o apartamento em que ACM morava, no elegante bairro da Graça.

O pedido judicial foi feito pela filha do senador baiano, Tereza Mata Pires, e por seu marido, o proprietário da construtora OAS, César Mata Pires. Objetivo: fazer o levantamento dos bens.

A viúva do senador, Arlette Magalhães, de 78 anos, não estava quando o grupo chegou. Chaveiros abriram as portas. O grupo passou quase sete horas catalogando objetos - ACM era admirador de arte e tinha dezenas de santos e objetos de prata.

A força-tarefa deixou o apartamento sem comentar a operação, alegando que a disputa corre em segredo de Justiça. O casal Mata Pires tampouco se pronunciou.

A viúva Arlette foi para a casa do filho, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), em Brasília, e reagiu com revolta. Em comunicado, ela diz que a família ¿repele o ato brutal e violento que foi cometido¿ e afirma que ¿todas as medidas legais serão tomadas¿.

¿A agravante é que a ação de funcionários do Estado da Bahia e da Justiça recebeu o apoio logístico da Construtora OAS, cujo proprietário é parte interessada no processo¿, diz o comunicado. ¿Veículos pertencentes a César Mata Pires transportaram oficiais de Justiça e um motorista do empresário foi comprar lanches para os militares¿, destacou.

A disputa entre ACM Júnior e o casal Mata Pires está relacionada ao controle da TV Bahia, a retransmissora da Rede Globo no Estado, carro-chefe do império de comunicação de ACM.

¿O que era um problema empresarial, virou pessoal e agora está virando político¿, afirmou ACM Júnior, em referência ao fato de a juíza que autorizou a invasão ser mulher de um deputado de oposição ao DEM no Estado.

Pellegrino reagiu: ¿Não tenho interferência sobre o trabalho de minha esposa¿. A juíza não foi encontrada pela reportagem para comentar o episódio.