Título: Expansão do PIB deve recuar para 4,6% neste ano
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/03/2008, Economia, p. B13
Instituições e consultorias calculam crescimento de 5,1% a 5,5% em 2007, mas prevêem índice menor em 2008
A expansão da economia brasileira pode ter ficado em torno de 5,3% no ano passado, mas o crescimento do País deverá desacelerar e recuar para perto de 4,6% em 2008. As projeções médias são de instituições e consultorias. Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o dado oficial para 2007. A expectativa é de que os resultados mostrem, ainda, taxas recordes na série histórica para a evolução dos investimentos, consumo das famílias e contribuição do mercado interno para o resultado geral.
As estimativas de oito instituições ouvidas pelo Estado para o resultado do PIB deste ano vão de 5,1% a 5,5%. O último crescimento expressivo da economia brasileira foi de 5,7% em 2004. Apesar do nível próximo, a diferença é que naquele período as exportações estavam bem mais fortes. Este ano, a composição do crescimento será diferente. Pelo segundo ano consecutivo, o setor externo vai gerar contribuição negativa para a expansão do País, o que será compensado pelo consumo interno e pelos investimentos.
¿A sensação de crescimento foi maior no ano passado, porque a demanda interna avançou num ritmo muito mais intenso. As pessoas enxergam mais de perto quando isso acontece do que quando o setor externo avança, geralmente mais limitado a poucas empresas e menos setores da economia¿, diz o economista da LCA, Braulio Borges. Por setores, a avaliação é de que o crescimento foi perto dos 5% para indústria, serviços e agropecuária. Na comparação com o ano anterior, a maior evolução projetada é do PIB industrial, que havia crescido 2,9% em 2006 e, pela previsão da LCA, avançou 4,8% em 2007.
O economista-chefe da Austing Rating, Alex Agostini, diz que a demanda doméstica está sendo ¿determinante¿ para o desempenho do PIB. Ele antevê, contudo, que a contribuição negativa do setor externo será ainda maior em 2008. De maneira simplificada, quando o Brasil importa produtos a riqueza é produzida no país de origem desses itens, ainda que muitos deles, como máquinas e equipamentos, sejam importantes para o desenvolvimento local. Assim, os valores equivalentes às importações de bens e serviços entram com sinal negativo na conta do PIB. Esse, contudo, não é o único motivo para as projeções de desaceleração do crescimento em 2008.
O economista-chefe do WestLB, Roberto Padovani, avalia que o crédito está encarecendo, a renda deve crescer menos e existe algum risco inflacionário no horizonte. O economista-chefe da Corretora Convenção, Fernando Montero, também se preocupa com as perspectivas de inflação entre 2008 e 2009. ¿Há maior cautela no mercado para este ano, com a possibilidade de restrição de oferta e risco de inflação¿, diz, lembrando que há sinais no início deste ano de mais gargalos de infra-estrutura e menos folga na utilização da capacidade.
Thais Marzola, economista da Rosemberg & Associados, avalia que a política monetária será menos expansionista este ano e cita que o ambiente internacional piorou. A análise da LCA para este ano já leva em conta, além do básico, um cenário adverso. Esse cenário, com probabilidade de 40%, ante o básico (60%), leva em conta uma recessão mais prolongada nos Estados Unidos, com uma variação do PIB americano perto do zero. Nesse caso, a previsão de crescimento do Brasil cai de 4,5% para 3,2% em 2008, numa ¿desaceleração, mas não uma interrupção, do crescimento econômico brasileiro¿.
Borges, da LCA, pondera que neste cenário chamado adverso o crescimento brasileiro ficaria em 3% em 2009, mas voltaria a ficar mais forte em 2010. A desaceleração no resto do mundo também foi lembrada por Alex Agostini, da Austin, como um fator que pode afetar o desempenho brasileiro. ¿A história deste ano vai ser um pouco mais diferente.¿