Título: Bovespa cai 3,1%, mas é líder no mês
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/03/2008, Economia, p. B1
Depois de subir por sete dias consecutivos, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) derreteu 3,15% ontem, em decorrência de mais turbulências vindas do mercado internacional. Ainda assim, o principal termômetro da bolsa brasileira liderou o ranking de investimentos de fevereiro, com valorização de 6,72%.
No exterior, o Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, perdeu 2,51% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 2,58%. O mau humor no encerramento do mês foi causado por novos temores em relação à saúde do sistema financeiro global.
A AIG, maior seguradora do mundo, informou perdas de US$ 5,3 bilhões no último trimestre de 2007, pior resultado nessa medição em seus 88 anos de história. A empresa explicou que o prejuízo decorre de operações malsucedidas com derivativos de crédito (tipo de papel que tem como base empréstimos).
¿A AIG deu a tônica do dia¿, disse Adam Tracy, diretor de investimentos da Thomas Weisel Partners, em São Francisco. ¿Definitivamente, acho que as pessoas estão mais preocupadas com a crise financeira.¿
Se não bastasse isso, o banco suíço UBS divulgou um relatório em que estima que as perdas do sistema financeiro com a atual crise poderão atingir US$ 600 bilhões. Desse valor, US$ 350 bilhões estariam com bancos e corretoras cujas ações são negociadas em bolsas de valores. Até agora, as instituições financeiras contabilizaram baixas contábeis de US$ 160 bilhões no mundo todo.
RECUPERAÇÃO
Apesar do péssimo desempenho de ontem, fevereiro foi marcado pela volta dos investidores - especialmente estrangeiros - à Bovespa. Em alguns momentos do mês, a bolsa paulista chegou a compensar as perdas de 6,88% registradas em janeiro. Com a desvalorização de ontem, ainda acumula queda de 0,62% em 2008.
¿A perspectiva para a bolsa é positiva, mas com volatilidade¿, avisa Marcelo Mello, vice-presidente da Sul América Investimentos. ¿Quem tiver estômago para suportar o vaivém pode se beneficiar lá na frente.¿
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, recorre à mesma figura para definir o cenário para o ano. ¿O investidor precisa ter estômago em momentos de ajuste como o atual¿, disse.
Tanto Mello quanto Agostini ainda projetam uma alta expressiva para o Ibovespa em 2008. O vice-presidente da Sul América acredita em uma valorização de 30% em relação ao nível do fim do ano passado - o que daria cerca de 82 mil pontos. A Austin Rating ainda crê em algo entre 80 mil e 85 mil pontos. Ontem, o Ibovespa fechou nos 63.489 pontos.