Título: Amorim crê em acordo este ano
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/03/2008, Economia, p. B16
`Vejo as discussões progredindo em Genebra¿, diz ele
Agências Internacionais
Na contramão das declarações pessimistas do comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse ontem estar esperançoso de que um acordo seja fechado até o fim de 2008 nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
¿Vejo as discussões progredindo em Genebra¿, disse Amorim . ¿Há chances de finalização este ano.¿ Segundo ele, os países desenvolvidos, ¿que têm mais¿, deveriam fazer concessões maiores na próxima rodada de negociações, em abril.
A declaração de Amorim foi feita na sua chegada a Cingapura, após uma visita de dois dias ao Vietnã. A viagem aos dois países faz parte da estratégia do governo brasileiro de estreitar relações econômicas com os países do Sudeste Asiático.
A Rodada Doha foi lançada em 2001 no Catar e, segundo o cronograma inicial, deveria ser concluída em 2004. Mas divergências entre os países emergentes - que reclamam maior abertura nos mercados agrícolas da UE e dos Estados Unidos - e os industrializados - que exigem maior acesso para bens industriais e serviços - impedem um acordo.
TRATADO COM A ASEAN
Em abril, a OMC organizou uma reunião ministerial para tentar chegar a um acordo Norte-Sul que impulsione as negociações. ¿É uma rodada de negociações que deve estar voltada para o desenvolvimento dos países e isso significa, embora não exclusivamente, agricultura¿.
Segundo o ministro, as maiores concessões devem vir daqueles que podem dar mais, ou seja, dos países industrializados. ¿Não somente por ser uma questão de justiça, mas por uma razão histórica, já que as negociações comerciais de rodadas passadas sempre se concentraram em produtos manufaturados, deixando os bens agrícolas para trás.¿
Amorim também defendeu que o Mercosul assine um tratado de livre comércio com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), cujas economias crescem de 5% a 7% ao ano. Segundo ele, ¿o Brasil constatou que seu comércio com os países em desenvolvimento é cada vez maior¿. Com Cingapura, por exemplo, o Brasil ¿quadruplicou o comércio nos últimos três anos¿.
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