Título: Doha está perto de 'grande fracasso', diz Mandelson
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/03/2008, Economia, p. B16

Representante europeu quer acordo entre países negociadores antes da eleição presidencial nos EUA

Agências Internacionais

A negociação entre os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) para avançar na liberalização do comércio mundial corre ¿grande risco de fracassar¿, advertiu ontem o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, que pediu um acordo antes da eleição do novo presidente americano. ¿Temo que Doha possa fracassar, o primeiro fracasso de uma rodada comercial multilateral.¿

Em discurso em Lesoto, divulgado em Bruxelas, Mandelson afirmou que a Rodada Doha fracassará se os negociadores não forem capazes de restabelecer o equilíbrio entre os diferentes capítulos e conseguir um consenso antes que o presidente americano, George W. Bush, deixe a Casa Branca em janeiro.

Sean Spicer, porta-voz da representante para o Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, disse que os principais negociadores americanos ¿têm falado repetidamente, nos últimos meses, sobre a importância de se chegar a um acordo¿.

Diante dos ministros de Comércio do grupo de Países Menos Desenvolvidos (LDCs, em inglês), o britânico lembrou que as economias pobres são as que mais têm a perder se a chamada ¿rodada do desenvolvimento¿ não for concluída.

Em relação ao papel da União Européia na discussão, Mandelson afirmou que quer fazer uma contribuição construtiva, mas esclareceu: ¿Não vamos pedir a outros países mais do que podem fazer, nem nos conformaremos com menos do que podem ceder¿.

Ele insistiu em que o acordo final não pode representar um passo atrás nos compromissos já colocados sobre a mesa em relação a acesso ao mercado em agricultura, bens industriais e serviços.

O comissário considerou urgente alcançar um acordo enquanto os preços agrícolas se mantêm elevados e destacou que, no atual contexto de incerteza econômica, seria um sinal claro contra as tentações protecionistas.

O fracasso da negociação demonstraria, segundo ele, que a comunidade internacional não é capaz de tomar decisões no âmbito da governança global, ¿um sinal nefasto¿ em um momento em que se buscam acordos em mudança climática e fluxos financeiros.

Mandelson lembrou aos LDCs que a liberalização comercial os ajudará a entrar nos mercados em expansão das economias mais dinâmicas, algo que é muito mais efetivo que a ajuda direta ao desenvolvimento.

Ele garantiu que pedirá a outros países desenvolvidos e em desenvolvimento que ofereçam aos LDCs acesso a seus mercados livres de cotas, como a União Européia já faz.

A OMC organizou para abril uma reunião ministerial para que se tente chegar a um acordo. Mas as esperanças de que esse objetivo seja atingido parecem ser pequenas para o diplomata neozelandês responsável pela cadeira de Agricultura na OMC, Crawford Falconer. ¿Do jeito que as coisas estão indo, vamos precisar de um milagre.¿

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