Título: Somos o País com a maior taxa do planeta', diz Skaf
Autor: Pereira, Renée ; Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/03/2008, Economia, p. B4

Presidente da Fiesp até se desculpa pela monotonia de suas críticas ao BC

Marcelo Rehder

Embora esperada, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter inalterada a taxa Selic em 11,25% ao ano foi criticada por empresários e sindicalistas. Além de reclamarem do alto custo financeiro, que inibe novos investimentos no setor produtivo e desestimula a criação de empregos, os empresários se mostraram preocupados com os efeitos dos juros altos sobre a valorização do real ante o dólar.

Desculpando-se pela ¿monotonia¿ das críticas, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, ressaltou que as taxas de juros cobradas no Brasil são as mais altas do mundo.

¿A nossa permanente defesa do crescimento se tornou, com o passar do tempo e diante do renitente conservadorismo do Banco Central, algo repetitivo, até monótono¿, disse Skaf. ¿Somos o País que pratica a maior taxa de juros do planeta; acabamos de passar a Turquia, tornando-nos os primeiros nesse injusto ranking mundial¿.

O presidente da Fiesp disse que se via obrigado a bater na mesma tecla e pelos mesmos conhecidos motivos. ¿Continuamos não encontrando razões plausíveis para que o governo perca a oportunidade de abaixar a Selic e combater a sua conseqüente danosa sobrevalorização do real, que tira a competitividade do produto nacional nos mercados globalizados¿.

Na mesma linha, o presidente da Confederação Nacional da Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto, observou que a queda dos juros é crucial para reverter a valorização do real. ¿A manutenção dos juros amplia o diferencial em relação aos juros americanos e exacerba o processo de valorização do real, que provoca danos a segmentos industriais¿. No entanto, Monteiro Neto afirmou que a decisão do Copom não surpreendeu, já que as atas das reuniões anteriores sinalizavam para essa definição, também antecipada pelos mercados.

Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, a decisão do Copom pode ser entendida como cautela em face das incertezas do cenário externo, tendo em vista que os últimos indicadores de inflação já mostram recuo dos preços. ¿Não se pode ignorar, contudo, que a taxa de juros no Brasil continua extremamente elevada, sendo no momento a maior do mundo em termos reais, o que não parece se justificar, tendo em vista os fundamentos da nossa economia¿.

Burti também ressaltou que, com a redução das taxas de juros no exterior, aumentou o diferencial em favor do ingresso de capitais estrangeiros de curto prazo, o que pressiona a taxa cambial e afeta negativamente muitos setores.

¿Esperamos que o Banco Central retome o mais rapidamente possível o processo de redução dos juros para incentivar os investimentos e o crescimento¿, disse. ¿ Para tanto é preciso que o governo administre a política fiscal no sentido da contração dos gastos públicos, para abrir espaço ao crescimento não inflacionário do consumo privado.¿

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, disse que os trabalhadores estão indignados e decepcionados. ¿Os integrantes do Banco Central beijam as mãos dos especuladores e viram as costas para os trabalhadores.¿

Para Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Copom não só deveria baixar a Selic como, cumprindo função constitucional, também estipular metas de queda para os juros do mercado, injustos para trabalhadores e consumidores e tão gentis com o sistema financeiro¿.

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