Título: Petrobrás previne-se contra ações na Bolívia
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/09/2008, Internacional, p. A16

Segundo executivo, medidas são conseqüência de ameaça da oposição

Nicola Pamplona, RIO

Algumas medidas já estão sendo tomadas pela subsidiária da Petrobrás na Bolívia para precaver-se diante das ameaças da oposição boliviana de invadir as instalações petrolíferas da empresa. A informação é de uma fonte ligada à estatal que conversou ontem com o Estado. Oficialmente, a Petrobrás não se pronunciou sobre o caso.

Segundo um executivo da empresa, foram antecipadas as trocas de turnos e reforçados os estoques de mantimentos nos campos de petróleo para garantir o suprimento de produtos básicos, caso as instalações sejam cercadas por manifestantes contrários ao presidente Evo Morales. A empresa está adotando providências técnicas para atenuar o risco de uma redução forçada na produção de gás, caso as refinarias locais parem. A Petrobrás também tem mantido a rede de dutos que liga os campos ao Brasil em sua pressão máxima, garantindo um estoque maior de gás nas tubulações.

Para o executivo, é baixo o risco de que o suprimento de gás boliviano (que abastece 40% do mercado brasileiro) seja de fato interrompido. ¿Na Bolívia, não podemos nos alarmar com qualquer coisa, mas precisamos nos precaver¿, disse. A mesma opinião tem o analista político Gonzalo Chávez, da Universidade Católica Boliviana, em La Paz. ¿Não acredito que as ameaças se concretizem, porque seria prejudicial para todos¿, afirmou.

Em Brasília, o chanceler Celso Amorim disse que o governo brasileiro estudará ¿de maneira séria¿ as ameaças de grupos opositores bolivianos e, se for necessário, está disposto a ¿manter contato¿ com os governos regionais do país vizinho.

Nos últimos dias, o Itamaraty buscou negociar com a oposição regional - que, por sinal, está divorciada da oposição parlamentar, que é mais flexível e considera as ameaças ao gasoduto uma atitude contraproducente. Mas o diálogo não prosperou.

À tarde, Evo ordenou que a segurança dos campos de gás do Departamento de Tarija fosse reforçada por militares para garantir a exportação para o Brasil e a Argentina, segundo a assessoria de imprensa do Palácio Quemado. O líder boliviano também aprovou um decreto para descontar dos repasses aos governos locais o custo das reparações dos danos causados por grupos opositores em seus protestos.

Enquanto isso, nas regiões opositoras, a tensão continuava a aumentar. Em Tarija, bloqueios de estradas causavam escassez de combustível. Em Santa Cruz, aliados de Evo anunciaram a organização de um contraprotesto. COLABOROU DENISE CHRISPIM MARIN