Título: Fiesp já aposta em crescimento de 5,4%
Autor: Silva, Cleide ; Leopoldo, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/09/2008, Economia, p. B6
Diante do resultado do primeiro semestre, entidade revê projeções do PIB para o ano, antes de 4,8%
Cleide Silva e Ricardo Leopoldo
A indústria de São Paulo, responsável por significativa parcela do Produto Interno Bruto (PIB), reviu sua projeção de crescimento para este ano de 4,8% para 5,4%, informou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, após reunião com 27 dos mais influentes empresários do País ontem de manhã, na sede da entidade.
Na primeira reunião do novo conselho da Fiesp, formado por pesos pesados como Roger Agnelli, da Vale, Cledorvino Belini, da Fiat, Jorge Gerdau, da Gerdau e José Ermirio de Moraes, da Votorantim, o tema principal foi o crescimento do País. ¿Daqui para a frente temos de crescer mais, na casa dos 6% a 7% ao ano, pois outros países do Bric (Rússia, Índia e China) crescem 8% a 9%.¿
Segundo Skaf, ¿a solução dos problemas brasileiros está no crescimento, e nós precisamos enfrentar todos os gargalos e dificuldades para registrarmos um crescimento elevado¿. Embora tenha considerado positivo o crescimento do PIB de 6,1% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2007, Skaf não perdeu a oportunidade de criticar o governo. ¿O dado negativo foi o crescimento dos impostos, que ficou em 8,5% do PIB no mesmo período.¿
Para Skaf, ¿a expansão dos impostos acima do PIB mostra que estávamos certos no ano passado, quando defendemos o fim da CPMF, pois foi a maior reforma tributária que o País já teve, com uma redução de 1,5% do PIB (em tributos). Os programas não foram parados e não houve nenhuma catástrofe¿.
Gerdau mostrou-se entusiasmado com o resultado das contas nacionais . ¿É um momento extraordinário em que os fatores se conjugaram, e ainda temos a felicidade de a inflação estar diminuindo. Essa conjugação é extremamente favorável. O crescimento é fruto dos investimentos que estão ocorrendo e o setor global de commodities tem possibilitado isso.¿
Belini afirmou que o setor automotivo já esperava o crescimento no segundo trimestre e ressaltou o próprio desempenho da indústria de carros, que vem batendo recordes. ¿O importante é continuar a crescer para que, no futuro, o País possa reduzir as classes D e E, ampliando a classe C¿, disse. Ele acredita, porém, que nesse segundo semestre o crescimento será inferior ao do primeiro.