Título: BB compra Besc por R$ 685 mi em ações
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/09/2008, Economia, p. B14

O Banco do Brasil (BB) pagará R$ 685 milhões para comprar o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e sua coligada a Besc Crédito Imobiliário (Bescri). O pagamento será feito com a emissão de 23 milhões de ações do BB, sendo que quase 96% serão entregues ao Tesouro Nacional, que controla o Besc desde 2000. A operação deve ser confirmada no próximo dia 30 pelas assembléias das instituições.

A incorporação do Besc pelo BB foi acertada em abril de 2007 com o governo de Santa Catarina. O Ministério da Fazenda explicou que, o valor do Besc e do Bescri será utilizado para abatimento da dívida de Santa Catarina com a União. O Tesouro negou-se a informar o valor do saldo devedor.

Para calcular o valor de troca das ações levou-se em conta o preço médio das cotações dos papéis do BB na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos últimos 90 dias de 2007. No caso das ações do Besc, o valor econômico-financeiro (que considera a projeção de receitas futuras). Assim, para cada 12,13 ações do Besc será entregue uma nova ação do BB.

O vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, disse que a instituição não utilizou o critério de valor de mercado para o Besc por não considerar que o valor justo. Depois do anúncio da incorporação, os papéis subiram muito. Diante dessa decisão, as ações do Besc despencaram mais de 60% ontem.

Mendes afirmou que a incorporação do Besc deve gerar um ganho de sinergia para o BB de R$ 1 bilhão em 10 anos. De imediato, a operação trará uma economia de custos de R$ 139 milhões. Segundo o executivo, o BB pretende levar o índice de eficiência (relação entre despesas administrativas e receitas) do Besc para o padrão do BB em cerca de cinco anos.

Mendes informou também que o processo de incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP) deve ser concluído até o fim do ano. Já nos casos de Nossa Caixa e Banco Regional de Brasília (BRB), cuja incorporação é negociada com os governos de São Paulo e do Distrito Federal, o modelo será diferente, pois o Tesouro está fora do controle desses bancos.