Título: Banco Mundial elogia alta do juro no Brasil
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/09/2008, Economia, p. B14

Para Zoellick, elevação da Selic para 13,75% ao ano foi `prudente¿ e deveria ser seguida por outros países

Jamil Chade

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, elogiou a decisão do Banco Central (BC)de elevar a taxa básica de juros no Brasil e defendeu a política monetária adotada pelo governo Lula. ¿Foi uma decisão prudente a de elevar os juros¿, afirmou Zoellick.

Por anos, a entidade defendeu a redução das taxas de juros no País para permitir o crescimento da economia. Agora, com o temor de uma escalada da inflação em todo o planeta, o Banco Mundial adota uma posição diferente.

Nesta semana, o Banco Central anunciou alta de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, para 13,75% ao ano. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ¿é sempre chato aumentar os juros¿. Mas a medida deve ser encarada, segundo ele, como necessária. Diferentemente das duas reuniões anteriores, a decisão do Copom, desta vez, não foi por unanimidade. Dos oito diretores da instituição com direito a voto, três preferiam uma alta de 0,50 ponto porcentual.

Para Zoellick, a percepção é a mesma de Lula, de que a alta foi necessária. ¿A inflação foi sempre o ponto fraco na história econômica da América Latina em tempos recentes, principalmente do Brasil e do Mexico¿, afirmou Zoellick, que está em Genebra para reuniões sobre o impacto da insegurança nos países em desenvolvimento.

¿Falei com membros do governo brasileiro nos últimos dias e, de fato, a decisão de elevar os juros foi prudente¿, comentou o presidente do Banco Mundial.

Zoelick é um dos que defendem a manutenção do sistema de metas de inflação, principalmente diante da fragilidade da economia mundial neste momento. Para o Banco Mundial, a luta contra a inflação deve ser uma prioridade dos bancos centrais, não apenas nos países emergentes, mas também nos países ricos. Segundo Zoellick, apenas a alta nos preços dos alimentos já afetou 100 milhões de pessoas, que cairiam para uma situação de pobreza.

Quando Lula assumiu o poder no primeiro dia de seu mandato, Zoellick era o representante de Comércio da Casa Branca. Naquela ocasião, Lula rebateu a ataques do americano, alegando que se tratava do ¿sub do sub do sub¿, em referência a seu posto. Zoellick havia alertado que, se o Brasil não optasse por entrar num Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca), acabaria sendo obrigado a vender apenas para a Antártica.

Hoje, na direção do Banco Mundial, Zoellick insiste em falar do Brasil, mas em outro tom. ¿As notícias que temos do Brasil e de sua economia são muito positivas¿, disse. Além da decisão sobre o aumento da taxa de juros, o Banco Mundial destacou o ritmo de crescimento da economia, de 6,1%. ¿O Brasil nos anima¿, disse Zoellick.

Zoellick assumiu o Banco Mundial em 2007, após a queda do também americano Paul Wolfowitz, um dos arquitetos da guerra no Iraque. Zoellick, da ala republicana no governo americano, também já foi funcionário do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento dos EUA.