Título: Programa de tucano pretende explorar elo entre Kassab e Pitta
Autor: Brandt, Ricardo ; Bramatti, Daniel
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/09/2008, Nacional, p. A4
Coerência política do candidato do DEM será questionada pelo PSDB
Ana Paula Scinocca
A principal preocupação do comando de campanha do prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), deverá se confirmar. Em queda nas pesquisas, o PSDB de Geraldo Alckmin já decidiu que vai explorar, nos próximos dias, o que chamam de ¿passado antiético¿ do adversário. ¿Assumi com o dr. Geraldo (Alckmin) dois compromissos: com a vitória e com a verdade. Temos de mostrar os fatos¿, avisou o novo marqueteiro da campanha tucana, o publicitário Raul Cruz Lima.
A idéia é lembrar ao eleitor que Kassab é ¿da mesma turma¿ dos ex-prefeitos Celso Pitta e Paulo Maluf (PP). O candidato foi secretário de Planejamento de Pitta, sucessor e pupilo de Maluf. ¿Não se trata de ataque. Se trata de mostrar a história política dele. Temos que mostrar que Kassab trabalhou com Pitta e Maluf e que é aliado de Orestes Quércia (PMDB)¿, defendeu o marqueteiro de Alckmin. ¿Entre as melhores virtudes do Alckmin estão sua coerência política e sua credibilidade. Temos que mostrar isso, a diferença dele para os outros¿, insistiu o marqueteiro.
Pela primeira vez desde que assumiu a comunicação da campanha do PSDB, Cruz Lima exibiu ontem, por completo, ¿a nova roupagem¿, nas suas próprias palavras, do programa eleitoral do tucano. O tom da campanha está mais agressivo e Alckmin aparece mais próximo do telespectador. ¿O foco é o candidato. É colocar os pingos nos is e mostrar o que ele fez. Muita coisa feita por ele estava sendo utilizada por outro¿, anota, sem citar o nome de Kassab.
No quartel-general do DEM a ordem é não dar bola para o adversário. Traduzindo: manter a campanha exatamente como ela está. Para a cúpula da campanha de Kassab, a estratégia tucana não passa de ¿desespero de nanico¿, uma cutucada na queda das intenções de voto Alckmin, segundo pesquisas.
A três semanas da eleição, a estratégia do PSDB é ir para o ¿tudo ou nada¿ e tentar carimbar o passaporte do ex-governador no segundo turno da disputa. Alckmin está com a ida para a segunda etapa do pleito ameaçada pela ascensão de Kassab. A petista Marta Suplicy lidera com folga a corrida rumo à Prefeitura de São Paulo.
Cruz Lima afirmou que a idéia é ¿abrir espaços¿. Segundo ele, não há um alvo preferencial, como queriam integrantes do comando do PSDB, que seria o PT. ¿Temos de bater nos dois lados¿, afirmou. ¿Temos que mostrar o que está acontecendo doa a quem doer¿, resumiu um dos principais aliados de Alckmin, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal.
Alckmin tem se mostrado preocupado. No final de semana o candidato e seus interlocutor admitiram, em conversas reservadas, alívio ao checar que a queda nas pesquisas havia sido menor do que previam.