Título: Para Protógenes, prisão tira foco da corrupção
Autor: Mendes, Vannildo ; Recondo, Felipe
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/09/2008, Nacional, p. A6
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz afirmou ontem, em um ato contra a corrupção em Porto Alegre promovido pelo PSOL, que a prisão do delegado Romero de Menezes ¿é uma inversão do foco¿. ¿Está se discutindo a maneira de agir da polícia e deixando de ver o grande crime social que é a corrupção existente no País.¿
Protógenes disse não poder falar sobre as acusações contra Menezes, pois as investigações são secretas. ¿O que posso afirmar concretamente é que o Eike Batista é associado ao Daniel Dantas¿, disse, referindo-se a uma suposta relação entre os dois empresários. A MMX, empresa de Batista, é citada nas investigações que levaram à prisão do delagado Menezes.
Queiroz ressaltou que ficou famoso por ter prendido e algemado Daniel Dantas - e mais ainda depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ter mandado soltar o banqueiro e legislado sobre a forma de agir da polícia através da súmula vinculante limitando o uso de algemas. O delegado criticou a restrição.
¿Na cidade de São Fidelis, no Estado do Rio de Janeiro, ao anunciar uma sentença que condenava a 17 anos um criminoso, a juíza Juliana Andrade Barichelo teve que se refugiar em uma sala junto com a promotora pois o condenado, furioso, avançou contra ela. Foi preciso uma dezena de policiais e agentes para conter o criminoso furioso. Ele não estava algemado¿, exemplificou.
Em uma palestra para cerca de 50 pessoas presentes ao ato, no escritório do advogado Pedro Ruas, o delegado enfatizou a necessidade de uma campanha contra a corrupção e lembrou que sua carreira foi marcada por investigar e prender políticos corruptos.
EMPRESÁRIO
O empresário Eike Batista, por meio de sua assessoria de imprensa, negou ¿peremptoriamente¿ ter qualquer associação ou negócio com Daniel Dantas.
Em comunicado, o Opportunity informou que os fundos de investimentos geridos pelas gestoras de recursos do grupo Opportunity aplicam apenas 0,22% de seu patrimônio em ações das companhias controladas pelo empresário Eike Batista.