Título: FHC pede que Alckmin e Kassab parem agressões
Autor: Scinocca, Ana Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/09/2008, Nacional, p. A6

O adversário aqui é o PT¿, diz ex-presidente, para quem a atual administração é `mista¿, além de ser uma continuação do governo Serra

Ana Paula Scinocca

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu ontem que os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) parem de trocar farpas e concentrem suas energias em vencer o PT de Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Ao falar sobre o racha no PSDB - alguns integrantes do partido têm apoiado Kassab em detrimento de Alckmin -, Fernando Henrique lamentou a situação, classificada por ele de ¿delicada¿, e receitou: ¿O adversário aqui é o PT. No primeiro turno os dois lados (Alckmin e Kassab) devem compreender que não devem se agredir. Senão, como faz paruntar mais adiante (no segundo turno)?¿

Ele insistiu que os conflitos devem ser contidos, sob o risco de os dois partidos saírem derrotados na eleição no principal colégio eleitoral do País. ¿Temos de pensar que temos segundo turno e teremos de estar unidos. Isso é o fundamental. Em política, se você não vê mais longe, se você não vê estratégia e fica só no imediato, você perde¿, observou. ¿Não sou favorável a agravar a situação, não.¿ E ressaltou que o espírito deve ser de trégua.

Horas depois, Kassab endossou a tese. ¿Essa (trégua) tem sido a minha conduta¿, afirmou. Já Alckmin avaliou que ¿o adversário é o PT mesmo¿, mas no segundo turno. ¿Agora, no primeiro turno, todos devem se esforçar para chegar lá. Eleição é disputa¿, argumentou.

DEBATE

As declarações de Fernando Henrique foram dadas no auditório do Grupo Estado, onde participou do debate ¿O Futuro do Pré-Sal¿, na manhã de ontem. Sobre a intenção do partido de punir os tucanos kassabistas, como estão sendo chamados os membros do PSDB aliados ao prefeito, Fernando Henrique opinou que a discussão deve ser deixada para depois.

¿A tradição é essa. E também a prefeitura do Kassab é mista. Tem muita gente do PSDB e ele é continuação do governo Serra¿, disse, referindo-se ao período do hoje governador José Serra na prefeitura. ¿Falar em punição agora não ajuda.¿

O ex-presidente também se mostrou simpático à idéia de Serra se licenciar do governo no segundo turno para ajudar na campanha. ¿Não conversei com o Serra sobre esse tema. Ele tem responsabilidade política sobre São Paulo¿, disse.

¿Não acho nada anormal (ele se afastar do cargo para ajudar na eleição) diante da pressão imensa do governo federal. O presidente Lula é cabo eleitoral e está em toda parte arregaçando as mangas, com toda a pompa de presidente. Acho que cabe ao Serra pensar nisso.¿

Indagado se a licença do governador valeria apenas em caso de Alckmin ir para o segundo turno, disse que não. ¿Espero que vá o candidato do meu partido. Mas se não for, mesma coisa. Não tenho dúvidas de que estaremos juntos no segundo turno.¿

Sobre sua participação na campanha propriamente dita, o ex-presidente disse que nem quando esteve à frente do Planalto tomou parte ativamente. Em sua avaliação, nem ele nem Lula influenciam tanto o voto dos eleitores. ¿Se fosse assim, Marta teria crescido muito depois que Lula veio aqui fazer comício para ela, mas está no mesmo lugar.¿

À tarde, numa maratona de caminhadas e pequenos comícios, Marta ironizou a possibilidade de Fernando Henrique e Serra entrarem na campanha do segundo turno. ¿Está tão grave assim?¿, ironizou a petista.

Indagada se a segunda etapa será marcada pela briga entre Fernando Henrique e Lula, aproveitou para provocar mais uma vez o tucanato: ¿Se for, vai ser ótimo. Ganharíamos de dez a zero.¿

COLABORARAM CLARISSA OLIVEIRA, RICARDO BRANDT E VERA ROSA