Título: País vai desacelerar em 2009, diz Ipea
Autor: Chiarini, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/09/2008, Economia, p. B5
Para instituto, crise reduzirá preços de commodities e, por extensão, saldo comercial brasileiro
Adriana Chiarini, RIO
As incertezas relacionadas à crise financeira mundial devem levar à suspensão de decisões de novos investimentos no Brasil temporariamente, mas não devem prejudicar o desempenho da economia este ano nem interromper os investimentos já em execução. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Em relação a este ano, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) possa crescer acima de 5,2%, que é o teto da projeção do instituto. A desaceleração ficaria para 2009. ¿Nem a crise internacional nem nenhum outro fator vai afetar de forma substancial o crescimento da economia brasileira em 2008¿, disse o coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea, Marcelo Nonnenberg, autor das projeções. ¿Não se descortina o fim da crise ainda. A gente espera que as decisões de novos investimentos sejam suspensas até o cenário ficar mais claro¿, afirmou.
Com os resultados já obtidos do PIB no primeiro semestre, se a economia brasileira não crescer nada no segundo semestre, o PIB teria expansão de 4,7% no ano. Caso a expansão seja de apenas 0,5% no terceiro trimestre e 0,5% no quarto trimestre, o PIB crescerá 5,1%.
No entanto, só a produção industrial em julho aumentou 8,5% em relação ao mesmo mês de 2007. O Ipea prevê que crescerá 2,5% em agosto em relação a agosto de 2007. A desaceleração é influenciada pelo menor número de dias úteis no 8º mês deste ano, observou o pesquisador Leonardo Carvalho. Para o período de setembro a dezembro, porém, o número de dias úteis de 2008 será superior ao do ano passado, o que se refletirá em aumento da produção.
Na agricultura, a safra de grãos esperada para este ano é recorde, 9% superior a 2007, e está influindo para conter a inflação. A expectativa da especialista em inflação do Ipea, Andréia Parente, é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano em 6% ¿ou até menos¿.
A crise, porém, ainda traz incerteza sobre o futuro. Para Nonnenberg, o primeiro impacto está ocorrendo no câmbio. Tanto os efeitos da desaceleração da economia mundial quanto a redução dos preços das commodities devem ter impacto negativo sobre as exportações brasileiras e desacelerar a expansão do PIB em 2009. ¿Outro efeito que está aparecendo é a interrupção dos fluxos internacionais de crédito¿, disse Nonnenberg.