Título: Planalto age no bastidor para PTB apoiar Marta
Autor: Rosa, Vera ; Oliveira, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/09/2008, Nacional, p. A6

Auxiliares de Lula dizem que, se Alckmin não passar do primeiro turno, alvo governista será o PTB; Roberto Jefferson diz ter `simpatia¿ por petista

Vera Rosa e Clarissa Oliveira

O Palácio do Planalto vai atuar nos bastidores para ajudar a candidata do PT, Marta Suplicy, a conquistar apoio de aliados no segundo turno da eleição à Prefeitura de São Paulo. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitem que, se o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, não passar da primeira etapa do embate, o alvo do assédio governista será o PTB do deputado cassado Roberto Jefferson.

Embora Jefferson tenha se tornado desafeto de Lula desde que denunciou o escândalo do mensalão, em 2005, o PTB integra a base aliada do Planalto no Congresso. Além disso, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, é do PTB. Atualmente, o partido não só apóia Alckmin como tem o vice da chapa: o deputado estadual Campos Machado.

¿No segundo turno, o PTB vai de Geraldo Alckmin porque é ele que estará lá¿, disse Jefferson, presidente nacional da legenda. Mesmo assim, o ex-deputado deixou a porta aberta para o namoro com o PT. ¿Tenho profunda admiração, simpatia e amizade por Marta Suplicy¿, completou.

Impressionados com a rápida ascensão do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que concorre à reeleição e está em guerra com Alckmin, integrantes da equipe de Marta abordaram Campos Machado no intervalo do debate da TV Record, realizado no domingo. ¿Passada a eleição, nossa primeira providência será marcar uma conversa com você¿, avisou um petista.

Secretário-geral da Executiva do PTB, Machado abriu um sorriso, mas desconversou. Mais tarde, disse não ver futuro nessa discussão. Apoiador histórico do PSDB desde o governo de Mário Covas (1995-2001), ele não esconde a antipatia por Marta, ao contrário de Jefferson.

FRITURA

De olho no apoio de Alckmin, caso o tucano não vá para o segundo turno, Marta saiu ontem em defesa do adversário (leia reportagem nesta página). O PT quer, na prática, tirar dividendos do racha no PSDB , apostando nos tucanos que odeiam Kassab. O comitê de Marta prefere enfrentar Alckmin ao prefeito. A avaliação é que, com Kassab no páreo, as máquinas da prefeitura e do governo paulista vão entrar pesado na disputa.

Na tentativa de mostrar respeito aos adversários na reta final, a candidata do PT também desautorizou os coordenadores de sua campanha a abordar possíveis aliados. Ela não comentou, porém, as articulações em curso no Planalto.

¿Todos os meus correligionários estão interditados até a abertura das urnas¿, insistiu Marta. Diplomático, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), coordenador da campanha de Marta, afirmou que a cúpula petista ainda não iniciou os contatos para o segundo turno. ¿Seria até ofensivo¿, avaliou. ¿Não sabemos se o nosso adversário será Alckmin ou Kassab.¿

Há cerca de um mês e meio, no entanto, quando Alckmin estava bem à frente de Kassab, vereadores do PT sondaram o presidente da Câmara Municipal, Antônio Carlos Rodrigues, sobre a possibilidade de o PR, fiador da candidatura do prefeito, apoiar Marta. De lá para cá, porém, as coisas mudaram.