Título: Lula se declara apreensivo, mas garante recursos
Autor: Otta, Lu Aiko; Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2008, Economia, p. B4
Crédito para exportações e para obras de infra-estrutura do PAC estão mantidos, diz o presidente
Denise Chrispim Marin e Liège Albuquerque, MANAUS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, pela primeira vez, que está apreensivo com a crise internacional, mas garantiu que, apesar do risco de escassez de crédito, não faltarão recursos para os projetos financiados pelas instituições oficiais. Ao lado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com quem se reuniu pela manhã, Lula afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continuará e não faltarão recursos ao Banco do Brasil e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento das exportações.
¿Não vamos permitir que faltem recursos para as coisas que temos de cumprir¿, afirmou Lula. ¿ O PAC vai continuar funcionando. E as obras de infra-estrutura vão continuar acontecendo¿, disse.
O presidente, no entanto, aumentou o tom de preocupação em relação aos efeitos da crise na economia brasileira. Embora ressalte que o País tem condições melhores do que no passado, ele se declarou apreensivo com a escassez de crédito no mercado mundial. ¿Eu poderia dizer que estou tranqüilo, acompanhando (a crise) com apreensão¿, afirmou. ¿É como se eu recebesse a notícia de que um amigo meu está internado no hospital. Eu não estou doente, mas fico apreensivo com o que pode acontecer. Estou apreensivo com a crise porque o Brasil é um país exportador, porque o País quer continuar crescendo¿, disse o presidente.
Em entrevista coletiva, Lula admitiu que a crise é ¿muito séria, e tão profunda que não sabemos o seu tamanho¿. ¿Talvez seja uma das maiores que o mundo já enfrentou.¿ Para ele, é necessário ¿juízo e responsabilidade¿ para que as economias continuem em crescimento.
Mantendo o tom adotado na última semana, Lula insistiu que não seria justo que o Brasil e as economias menores fossem sacrificados porque o sistema financeiro americano portou-se como um cassino. ¿Fizemos a lição. Eles (os EUA), não, e passaram as últimas três décadas nos dizendo o que tínhamos de fazer.¿ Para o presidente, é o momento de acreditar no Brasil e no seu mercado interno. ¿Temos de acreditar que não seremos vítimas, como fomos outras vezes, e ao mesmo tempo torcer para que os americanos resolvam o problema.¿
Lula voltou a atribuir ao clima eleitoral nos EUA a rejeição do pacote de ajuda ao setor financeiro pelo Congresso americano e manifestou esperança de que as medidas sejam aprovadas. ¿Torço para que o governo, o Congresso, os empresários e o povo americano encontrem logo uma saída e não permitam que as eleições atrapalhem as decisões para que a crise não aprofunde os problemas em outros países¿, afirmou.
O presidente informou ainda que vai manter reuniões periódicas com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para avaliar o andamento da crise e seus efeitos. Rejeitou, no entanto, a interpretação de que tenha criado ¿um gabinete de crise¿. ¿Não existe uma espécie de gabinete de crise. Eu é que sou um curioso por economia desde que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.¿
FRASES
Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República
¿Não vamos permitir que faltem recursos para as coisas que temos de cumprir¿
¿É como se eu recebesse a notícia de que um amigo meu está internado no hospital.
Eu não estou doente, mas fico apreensivo com o que pode acontecer. Estou apreensivo com a crise porque o Brasil é um país exportador, porque o País quer continuar crescendo¿