Título: BNDES terá reforço de R$ 7 bilhões do FGTS
Autor: Otta, Lu Aiko; Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2008, Economia, p. B4
Governo quer assegurar que não faltará dinheiro para exportação, agricultura, BNDES e PAC
Lu Aiko Otta e Christiane Samarco, BRASÍLIA
Preocupado com o ¿sumiço¿ das linhas de crédito no mundo inteiro, em decorrência da crise, o governo decidiu reforçar ainda mais a posição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco deverá receber R$ 7 bilhões que hoje estão no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). Esse fundo usa parte dos recursos do FGTS para financiar a infra-estrutura.
O aporte de R$ 7 bilhões será adicional aos R$ 15 bilhões que o Tesouro já vem entregando ao banco em parcelas, com base em medida provisória editada no fim de agosto. O reforço do BNDES faz parte da estratégia definida pelo governo quando a crise começou a se agravar.
A idéia é concentrar esforços para assegurar que não falte dinheiro para quatro áreas: exportação, agricultura, BNDES e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com o BNDES forte, o governo espera preservar os investimentos privados na economia e manter o ciclo de crescimento.
Ontem, o vice-presidente, José Alencar, saiu em defesa do BNDES. ¿É um banco raro. São poucos os (bancos) que têm seus recursos e (estão) emprestando a 6,25% ao ano.¿ O porcentual corresponde à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
Esses aportes ao BNDES já estavam decididos antes de o Congresso americano rejeitar o pacote de ajuda aos bancos e lançar os mercados financeiros em um clima de pânico. Com a piora do quadro, o governo já estuda medidas adicionais, informou ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Elas, porém, só serão anunciadas quando o quadro estiver mais claro.
DIVERGÊNCIAS
De acordo com técnicos, o valor da transferência do FI-FGTS para o BNDES ainda poderá ser modificado. Parte do governo resiste à decisão, mas ela já está tomada nos escalões mais altos. Diante das resistências de alguns ministros, chegou-se a examinar uma alternativa: em vez de transferir os R$ 7 bilhões para o BNDES, o FI-FGTS passaria a financiar projetos de infra-estrutura selecionados pelo banco. Dentro do objetivo de garantir crédito para investimentos, o efeito seria o mesmo. No entanto, o BNDES insistiu em receber o dinheiro.
A medida desagrada aos sindicalistas. ¿Não estamos a fim de entregar esse dinheiro¿, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, envolvido em investigações da Polícia Federal sobre desvios de verbas do BNDES.
Segundo o secretário-executivo do Conselho Curador do FGTS, Paulo Furtado, o FI-FGTS aprovou só um projeto até agora, de R$ 500 milhões à concessionária de ferrovias ALL para a ampliação da malha. Há mais 12 projetos pré-aprovados nas áreas de energia e portos. Furtado disse desconhecer as negociações para transferência dos R$ 7 bilhões ao BNDES, mas afirmou que o banco é um ¿parceiro¿.
COLABOROU LEONARDO GOY