Título: Falta de liquidez preocupa governo
Autor: Abreu, Beatriz
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/10/2008, Economia, p. B8

Situação é considerada delicada pelo Banco Central, que tem irrigado o sistema financeiro pontualmente

Beatriz Abreu, BRASÍLIA

O cenário de incertezas no mercado mundial contaminou mais fortemente a economia brasileira, que passa a enfrentar problemas de liquidez. Não se trata, especificamente, de falta de recursos no mercado, mas, pela lógica da aversão ao risco, apenas um número limitado de instituições está se beneficiando do crédito.

A insuficiência de recursos para atender a todos os segmentos do mercado está sendo monitorada pelo Banco Central (BC), que tem agido pontualmente para garantir a irrigação de dinheiro ao sistema financeiro. Ninguém no governo ou no BC informa sobre que tipo de ação está sendo adotada para contornar o estrangulamento do crédito, sobretudo para pequenas e médias instituições.

A estratégia nos últimos dias, que prevalecerá até que a crise dê sinais de arrefecimento, é a de manter conversas permanentes com as instituições financeiras para a identificação dos problemas que surgem a cada dia, ditados pelo compasso de espera por uma solução para crise nos Estados Unidos.

A situação é delicada, mas a orientação é de que o momento deve ser tratado com serenidade e tranqüilidade porque o Banco Central, apesar das pressões para que garanta recursos a custos baixos, não quer agregar maior volatilidade ao mercado.

Existe a percepção de que a situação se deteriorou, embora esteja colocado, também, o alerta de que a economia brasileira está resistente. E essa resistência é atribuída ao fato de que somente após duas semanas de intensa turbulência nos mercados há sinais de maior contaminação. Ou seja, em meio a esse processo de escassez de recursos nas economias mundiais, não se consegue isolar a economia brasileira totalmente.

Nos últimos dias, o que se observou foi uma deterioração dos mercados que reagem com aversão ao risco, com a alta do dólar, a queda dos preços dos ativos e as pressões para que o Banco Central alivie, logo, a tensão. Não são tempos fáceis para o BC e para o governo. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinais de apreensão em relação ao desfecho da crise e sua declaração resume o estado de ânimo das autoridades.

Durante solenidade no Planalto, ele disse que precisava aguardar as decisões do presidente George W. Bush para poder tomar decisões em relação à economia brasileira. ¿Não quero ser algoz do Bush, mas preciso saber como devo me programar.¿ Lula disse que a situação gera incerteza, mas não insegurança no governo.