Título: Em 2005, ele tachava governo de corrupto
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/10/2008, Nacional, p. A12

Acusações a Lula e ao PT quando era tucano pesam na campanha

Luciana Nunes Leal e Alexandre Rodrigues, RIO

A atuação de Eduardo Paes na CPI dos Correios, em 2005, como deputado tucano, é a maior cobrança enfrentada pelo agora candidato do PMDB à Prefeitura do Rio. À época, ele fez uma série de acusações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministros e dirigentes petistas. O confronto com os petistas da comissão de inquérito era permanente e os aliados de Lula atribuíam a Paes o vazamento de dados sigilosos no escândalo do mensalão.

Ele também cobrou investigação sobre o investimento de R$ 5 milhões feito pela companhia telefônica Telemar na empresa Gamecorp, que tem entre os sócios o biólogo Fábio Luiz Lula da Silva, filho de Lula. A cobrança irritou o presidente e a primeira-dama, Marisa.

Hoje, o ex-tucano apresenta-se como aliado de Lula e diz que, se eleito, garantirá parceria inédita da prefeitura com os governos estadual e federal.

Ainda deputado, Paes disse que ¿a corrupção parece ter se generalizado no governo Lula¿. Em 2006, Paes disputou a eleição com o governador Sérgio Cabral, a quem apoiou no segundo turno. Também fez campanha para o tucano Geraldo Alckmin, candidato à Presidência. ¿O governo Lula fez muito mal ao Brasil e Geraldo é o contraponto perfeito a essa demagogia que toma conta da política nacional¿, afirmou.

Com Cabral eleito, Paes assumiu a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer do Rio e, em julho de 2007, filiou-se ao PMDB. Neste ano, em sabatina do Grupo Estado, disse que ¿adoraria ter o apoio do presidente¿ e que ¿o País melhorou¿. Questionado sobre a mudança de lado, Paes afirma que, como deputado, cumpriu a ¿obrigação de combater a corrupção¿, mas que a administração pública requer diálogo e parceria.