Título: Exportação, agricultura, BNDES e PAC são prioridades
Autor: Otta, Lu Aiko
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/10/2008, Economia, p. B6

Ao longo da semana passada, um pequeno pacote destinado a combater os efeitos da crise sobre a economia brasileira foi baixado em doses homeopáticas. Basicamente, o governo irrigou com dinheiro as linhas de crédito que ¿secaram¿.

O presidente Lula pediu à sua equipe que faça o possível para que não falte dinheiro em quatro áreas: exportação, agricultura, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Manter os canais de crédito abertos foi o objetivo da principal medida, anunciada na noite de quinta-feira: o Banco Central facilitou aos bancos comprar carteiras de crédito de outras instituições financeiras. Os adquirentes terão redução de até 40% no volume de depósitos compulsórios sobre depósitos a prazo que têm de fazer junto ao Banco Central. Na prática, a medida injetou mais R$ 23,5 bilhões no mercado para socorrer bancos médios e pequenos, os mais fragilizados.

Antes disso, outras medidas já haviam sido adotadas. Para o setor agrícola, foi acelerada a liberação de recursos pelo Banco do Brasil. As linhas de financiamento para o setor deverão ser reforçadas em R$ 5 bilhões.

Os exportadores vêm sendo ajudados pelos leilões de câmbio do Banco Central. No entanto outras medidas poderão ser necessárias, pois as operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) já encolheram 50% desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro. Os ACCs são a forma com que os exportadores financiam sua produção após haver fechado uma venda ao exterior. Mantega sinalizou com o ¿uso criativo das reservas¿ para minorar o problema, mas não disse como. Há estudos para depositar parte das reservas no Banco do Brasil no exterior.

O pré-sal também apareceu entre as preocupações do governo. Semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou o BNDES a ampliar seus empréstimos à Petrobrás até o limite de R$ 12 bilhões. Além disso, Mantega anunciou que vai reforçar o Fundo da Marinha Mercante, que financia a construção de navios.

O BNDES é prioridade porque é a principal fonte de financiamento dos grandes investimentos empresariais e da infra-estrutura, inclusive os do PAC. O banco já foi reforçado com R$ 15 bilhões do Tesouro Nacional e deverá receber mais R$ 7 bilhões do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). Poderá, ainda, ter uma injeção adicional do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).