Título: Favre reaparece ao lado da ex-prefeita
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/10/2008, Nacional, p. A4

O franco-argentino Luis Favre, marido de Marta Suplicy, quase não aparece em público ao lado de sua mulher para não aumentar o índice de rejeição da petista, hoje na casa dos 32%. Pesquisas qualitativas encomendadas pelo comitê de Marta, no ínicio da campanha, mostraram que, passados sete anos da separação da ex-prefeita casada por quase quatro décadas com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) , um contingente de eleitores ainda não aceita Favre.

Ontem à tarde, a candidata acompanhou o marido numa cerimônia relacionada às comemorações do ano novo judaico, em uma sinagoga nos Jardins.

A presença do marido argentino ao lado de Marta contribui para piorar a imagem de arrogância que muitos vêem na candidata do PT. O desgaste foi constatado pelo partido há tempos, ainda na derrotada campanha de Marta à reeleição, em 2004. O problema é que nada mudou: pesquisas que medem a impressão do eleitor detectaram que a antipatia continua.

Favre não é visto no comitê de Marta. Às vezes passa na produtora, onde fica o publicitário João Santana, mas se dedica mesmo a escrever o seu blog na internet. É nesse espaço que ele faz ácidos comentários sobre a campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM), o desafiante de Marta, põe na rede elogios à petista e às vezes exerce o papel de ¿ombudsman¿ da imprensa, criticando reportagens.

No PT, a justificativa para a ausência de Favre é uma só: a candidata não gosta de andar com marido a tiracolo. Em conversas reservadas, dirigentes do partido admitem que ele contribui para inflar a rejeição da candidata. Favre não acompanhou Marta nem mesmo na votação do domingo.

¿A campanha da Marta até agora não conseguiu equacionar esse problema da rejeição¿, constata o cientista político Aldo Fornazieri, diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Na sua avaliação, não se trata apenas de mostrar uma mulher sorridente e simpática na TV. ¿Há uma forte interdição a Marta por parte do eleitorado mais conservador, que até hoje não aceita sua separação do Suplicy e tem restrições à candidata em relação a valores morais.¿

Causas e projetos defendidos pela petista, como a ampliação do direito ao aborto e a união civil entre homossexuais, ainda provocam polêmica.

Nascido num bairro pobre de Buenos Aires, criado num cortiço e radicado na França, Favre adotou esse codinome quando era um combativo militante de esquerda. Seu nome de batismo, porém, é Felipe Belisario Wermus.

No livro ¿Minha vida de prefeita - o que São Paulo me ensinou¿, a candidata do PT diz ter sofrido preconceito após se separar de Suplicy, em 2001. ¿No momento em que ocorreu a separação, as pesquisas mostravam que o cidadão a considerava um assunto da minha vida particular, por isso acreditei que era caso encerrado. Engano¿, escreveu Marta.

Foi também esse sentimento que as pesquisas do PT captaram: ao expressar suas opiniões, eleitores disseram que ela trocou ¿um homem bom¿ por ¿um argentino¿. O preconceito, nesse caso, é duplo: além de tocar na questão da separação em si, escancara a antipatia pelos argentinos, rivais do Brasil no futebol.