Título: Kassab é atacado em ato com 11 ministros em SP
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/10/2008, Nacional, p. A4

Na tentativa de injetar ânimo na campanha de Marta Suplicy, onze ministros desembarcaram ontem em São Paulo e, ao lado de intelectuais, sindicalistas, prefeitos e parlamentares, expressaram seu apoio à candidata do PT. Reunidos num ato intitulado Todos Por Marta, eles procuraram esconder o abatimento com a disparada de Gilberto Kassab (DEM) e distribuíram farpas na direção do prefeito, carimbado nos discursos como representante da direita e do retrocesso político.

De microfone em punho, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a hora é de virar o jogo. ¿Não se senta na cadeira da derrota nem da vitória antes da hora¿, afirmou. ¿Há exemplos terríveis na história de pessoas que subiram no salto alto e se deram mal. Isso é prova de desrespeito ao eleitor, soberba, elitismo e descompromisso com a democracia.¿

Pré-candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, Dilma deu várias estocadas em Kassab, afilhado político do governador José Serra (PSDB). Afirmou que ela e Lula sempre estiveram ao lado de Marta, ao contrário de ¿oportunistas¿, que mudam de lado de repente. Era uma referência indireta a Kassab, que se aproximou de Serra apenas em 2004 para ser candidato a vice-prefeito na chapa do tucano.

Todos os que ocuparam a tribuna destacaram que a batalha na cidade marca a diferença entre dois projetos. ¿São Paulo terá na prefeitura alguém voltado para o futuro ou alguém que quer retroceder, resgatando práticas do fisiologismo político na Câmara de Vereadores e no Executivo?¿, perguntou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci.

Habitualmente comedido nas palavras, Dulci fez um discurso inflamado contra as ¿forças do atraso¿. Sem citar o nome do prefeito, disse que nem o ¿uso indevido do aparato partidário e da máquina pública¿ fará a cidade retroceder. ¿São Paulo não pode ter um síndico conservador dirigindo o destino de uma das maiores metrópoles do mundo.¿

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), foi taxativo: ¿Não acredito que os que lutaram pela democracia vão deixar ressurgir em São Paulo as forças do atraso que sufocaram o Nordeste¿.

Filiado ao PMDB, partido que apóia a reeleição do prefeito, o escritor Fernando Morais disse que DEM é ¿codinome¿ da sigla que ajudou a ditadura militar. ¿Uma pessoa que vive de escrever biografias, como eu, não pode sujar a própria biografia votando no Kassab.¿

O ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV), afirmou que seu partido errou ao dar aval à candidatura de Kassab. ¿Foi uma escoliose de direita. Os verdadeiros verdes apóiam Marta.¿

Em seu pronunciamento, a candidata petista disse que não faz política para dividir. ¿Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários¿, garantiu.

Também estiveram no ato os ministros Tarso Genro (Justiça), Fernando Haddad (Educação), Carlos Lupi (Trabalho), Luiz Barreto (Turismo), Orlando Silva (Esporte), Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Édson Santos (Igualdade Racial) e Luiz Antonio Elias (interino de Ciência e Tecnologia).