Título: G7 ajudou, mas investidores esperavam mais
Autor: Kuntz, Rolf
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/10/2008, Economia, p. B6
Foi mais uma semana dramática de medo e vendas no mercado financeiro internacional. As bolsas perderam 9% e até mais de 10%, no Brasil. Na última hora do pregão, nos EUA, houve uma recuperação e os índices fecharam equilibrados, mas isso devido à expectativa de que os ministros das Finanças do G7, reunidos em Washington, iriam anunciar um plano agressivo de estabilização do sistema financeiro; veio um acordo de princípios prevendo uma ação coordenada, mas não comum. Cada país agirá isoladamente, após consultas. No comunicado final, um item importante: a afirmação de que os bancos e as instituições terão recursos oficiais suficientes para se capitalizarem a fim de restabelecer o crédito travado; esta é a grande ameaça que pode levar a economia à recessão. ¿Há um aumento de consultas, mas não ainda coordenação¿, afirma Douglas Elmendorf, economista do Brooking Institutions.
REAÇÃO CAUTELOSA
Em Wall Street, a reação não chegou a ser de desapontamento, mas não houve entusiasmo também; esperava-se ansiosamente medidas que gerassem fatos. ¿O mercado quer mais segurança de suporte aos bancos e (no comunicado) não aparece isso. Esta semana foi absolutamente brutal e, em seguida ao G7,poderemos ter ainda mais problemas na segunda-feira¿, reagiu Kim Ruppert, diretor e analista da Action Economic, de São Francisco. Kenneth Rogoff, de Harvard, refletia o pensamento da maioria quando afirmou, antes do encontro, que ¿esta reunião do G7 é um acontecimento de definição e eles devem fazer algo realmente radical¿. Não fizeram.
EUA ESTÃO SOZINHOS
A impressão era de que os EUA não ficaram isolados, mas estão sozinhos e é deles a maior responsabilidade. Paulson parece ter compreendido isso. Após o encontro, reafirmou que ¿os Estados Unidos comprarão ações dos bancos e outras instituições financeiras, o mais cedo que pudermos fazer apropriadamente e da forma correta.É mais uma arma nesta guerra contra o turbilhão financeiro.¿
Ao mesmo tempo,o governo apressa a compra e retirada dos títulos podres do mercado, o que é importante, sim, mas somente dará resultados em médio prazo. A prioridade é capitalizar os bancos, e isso será feito logo, reafirma Paulson.
Ao lado dos EUA, a Grã-Bretanha parecia ser a mais consciente da gravidade da crise, e sugeriu aos demais países que adotem o seu modelo em que o governo garante os depósitos pessoais e os empréstimos interbancários. Destinou para isso nada menos que US$ 437 bilhões e, se necessário, haverá mais. Os EUA informaram que estão avaliando esse plano.
Num gesto inesperado, o ministro das Finanças do Japão, Shoichi Nakagawa,ofereceu recursos ao FMI para ajudar aos países que mais necessitarem. ¿Estamos prontos para oferecer nossos recursos¿, disse. O Japão tem reservas cambiais que devem chegar a US$ 954 bilhões até o fim do ano.
E O QUE VEM AGORA?
Poucos acreditavam neste fim de semana que a crise poderá ser superada apenas com medidas isoladas; é preciso uma frente comum, pois a crise financeira é global e já atinge a economia. Após a reunião do G7, economistas afirmavam que tudo pode se agravar se os governos envolvidos na crise não convencerem os bancos e investidores de que é seguro emprestar para evitar uma paralisação, como aconteceu em 1930.
¿A grande questão é se há alguma coisa que o G7 pode realmente fazer. Já temos um grande estrago¿, afirma John Makin do American Enterprise Institute. E já deveriam ter feito nesta reunião em Washington.
A semana termina na expectativa ansiosa de que, ainda hoje, o Tesouro dos EUA anuncie que já está pronto para começar a garantir depósitos e capitalizar bancos. Só isso poderá conter a crise em curto prazo.