Título: DEM ganha direito de resposta contra Marta
Autor: Scinocca, Ana Paula; Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2008, Nacional, p. A7
A campanha do prefeito e candidato à reeleição em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), ganhou ontem na Justiça Eleitoral direito de resposta de um minuto para contestar a campanha da adversária, a petista Marta Suplicy, que em comercial no rádio e na TV questionou a sua vida pessoal. Em inserções de 30 segundos, a campanha petista pergunta ao eleitor: ¿Você conhece Kassab? Sabe se ele é casado? Tem filhos?¿
A peça publicitária do PT já saiu do ar. Mesmo assim, o juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral, proibiu o PT de veicular novamente a propaganda.
O argumento do magistrado é de que as expressões utilizadas ¿fogem à margem do direito de crítica político-administrativa e, de modo subliminar, induzem o eleitor à conclusão de que o candidato ofendido possa ter algo de grave na sua vida pessoal¿. Vargas também reforça que a propaganda contém ¿indagações dúbias¿.
Em sua decisão, o juiz eleitoral afirma que a campanha de Marta atingiu a candidatura do adversário ¿por injúria indireta, na medida em que colocou em dúvida o caráter e a vida pessoal¿ do prefeito.
A resposta do DEM deverá ir ao ar no rádio - já que o pedido se refere à primeira veiculação da peça - em até 36 horas. O prazo começou a contar ontem mesmo, segundo o advogado Ricardo Penteado. O pedido de resposta aceito foi o primeiro de 11 solicitados entre domingo e segunda-feira.
`DESESPERO¿
Kassab, que vinha evitando críticas mais duras à petista por causa da propaganda, subiu ontem o tom. ¿É desespero, medo de perder as eleições¿, disse o prefeito, em sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo.
Ele classificou a inserção de ¿maldosa, falsa e leviana¿ e disse não acreditar quando a adversária alega que não sabia do conteúdo da propaganda. ¿Se ela não sabe o que está sendo levado ao público pela campanha dela, não está preparada para ser candidata¿, ironizou.
A insinuação que a propaganda fez sobre a orientação sexual do prefeito foi tratada na sabatina. Da platéia veio uma pergunta direta: ¿O senhor é homossexual?¿ Ele respondeu: ¿Não. Não sou.¿ O prefeito declarou que a adversária terá constrangimentos no futuro com esse episódio, por ter agido com ¿falta de respeito ao eleitor¿.