Título: PSB vira problema para base governista no 2°turno
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2008, Nacional, p. A8

De parceiro estratégico do governo em projetos fundamentais para o Palácio do Planalto, como as eleições para a presidência da Câmara, o PSB transformou-se, neste segundo turno da disputa pelas prefeituras, em um problema na base governista. A recomendação da Executiva Nacional da legenda aos diretórios municipais para que privilegiem as alianças com partidos da base governista está valendo, mas em boa parte das 29 cidades onde haverá segundo turno o que tem pesado nas decisões são as mágoas com o PT e a boa relação com os tucanos.

Foi neste cenário que o PSB de Juiz de Fora, liderado pelo deputado Júlio Delgado (MG), decidiu ontem, por unanimidade, apoiar o candidato tucano Custódio de Mattos, contra a petista Margarida Salomão, que saiu das urnas liderando a disputa com 41% dos votos válidos. Satisfeito com o desempenho inesperado da petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cogitou visitar Juiz de Fora para fortalecer a campanha contra o tucano, que fechou o primeiro turno com 28% dos votos. Mas nem assim o PT conseguiu o apoio dos partidos aliados. Os tucanos lembram que Júlio Delgado, filho de Tarcísio, foi o relator do processo contra o deputado José Dirceu no caso do mensalão, e seu voto foi pela cassação do mandato do petista.

¿PT e PSB não são tão amigos assim¿, resume o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lembrando que também há proximidade entre tucanos e socialistas em seu Estado. ¿Em Paulista e Limoeiro, por exemplo, estivemos juntos contra o PT e ganhamos¿, recorda Guerra. De fato, tucanos e PSB construíram parcerias nas cinco regiões, em que se incluem capitais como São Luís, em que o PSB compôs chapa com o PSDB do candidato João Castelo, contra toda a base governista que apóia o candidato do PC do B, Flávio Dino, apoiado pelo presidente Lula.

Também em São Bernardo o PSB disputa contra o PT do ex-ministro da Previdência Luiz Marinho, como vice na chapa do candidato tucano Orlando Morando. Em São José do Rio Preto, a parceria se repete. O PSB de Valdomiro Lopes Júnior encerrou o primeiro turno na liderança da disputa contra o PT de João Paulo Rillo, e agora tem o apoio do PSDB que participa ostensivamente da campanha do segundo turno.

Da mesma forma, os socialistas juntaram-se aos tucanos em Petrópolis para bater o PT. O PSB retribui o apoio do PSDB em Londrina (PR), onde o candidato tucano e deputado Luiz Carlos Hauly, com um vice do DEM, disputa o segundo turno com outro partido da base de Lula: o PP de Antonio Belinati. Em Campina Grande (PB), o PSB que apoiara o PMDB da base de Lula no primeiro turno, agora reabriu a discussão no segundo turno e ameaça ficar com o candidato do PSDB, Rômulo Gouveia.

As novas parcerias entre tucanos e socialistas começaram a ser construídas no primeiro turno, com a negativa de apoio do PT a candidatos que eram apontados como prioridade do PSB na corrida municipal. O PSB implorou o apoio do PT em Manaus, onde o prefeito Serafim Corrêa (PSB) disputa o segundo turno atrelado ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

De nada valeram os protestos do presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que ameaçou negar apoio a Marta Suplicy em São Paulo se o PT não colaborasse. Os petistas só entraram na aliança em Manaus a reboque dos tucanos e, assim mesmo, emprestam apoio tímido à reeleição de Serafim.

¿Temos uma relação estratégica com o PT, mas reconhecemos o peso das lideranças de oposição, temos boa relação com o DEM e o PSDB e não podemos ficar isolados¿, diz o senador Renato Casagrande (PSB-ES).

¿Nossa política de alianças é ampla¿, concorda o dirigente Carlos Siqueira, que tem assento na Executiva Nacional. ¿Absurdo é o PC do B não apoiar a gente em Belo Horizonte, para ficar com o PMDB de Leonardo Quintão¿, arremata Marcos Dantas, também participa da Executiva do PSB.