Título: Caixa fecha negócios de R$ 4,7 bi com 4 instituições
Autor: NakagawaFernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/10/2008, Economia, p. B3
A Caixa Econômica Federal fechou ontem um acordo de R$ 4,7 bilhões com quatro instituições financeiras do país para a compra de carteiras de crédito.
O acordo não se limita, entretanto, à aquisição de financiamentos já existentes. Ele garante recursos para esses bancos pelos próximos dois anos. De imediato, a Caixa vai desembolsar R$ 1,1 bilhão. Outros R$ 3,6 bilhões serão pagos em 24 meses num acordo operacional para aquisição de carteiras que serão formadas por empréstimos que serão ainda realizados.
¿Os bancos vão continuar originando crédito. Isso é importante. O acordo dá condições melhores de reestruturação de capital e liquidez para os bancos e para a Caixa é um bom negócio¿, disse o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival. Segundo ele, as carteiras são de crédito consignado e empréstimos para empresas (middle market).
O vice-presidente explicou que o acordo operacional envolve a cessão das carteiras e o compromisso da Caixa de adquirir outras que forem sendo formadas. São carteiras de bancos médios e pequenos, cujos nomes não foram informados. ¿São carteiras boas, com risco baixo e bem estruturadas¿, afirmou o executivo da Caixa. Percival acrescentou que as carteiras foram avaliadas com ¿rigor¿ e compradas a preços de mercado.
SEM SOCORRO
A Caixa analisa ainda a compra de oito outras carteiras, inclusive algumas formadas com debêntures. ¿Esse foi o primeiro lote. O segundo deverá sair na próxima semana.¿ Ele disse que não ¿fazem sentido¿ as críticas de que a Caixa está sendo utilizada pelo governo para socorrer os bancos. ¿A Caixa e o Banco do Brasil estão atuando como bancos normais. É uma operação de mercado.¿ Segundo o vice-presidente, não está nos planos da Caixa oferecer linhas de financiamento para empresas que perderam dinheiro com a desvalorização do real. Percival informou ainda que a demanda por crédito, principalmente de empresas, continua alta.
¿O grande desafio agora é fazer a liquidez correr no mercado¿, disse o executivo da Caixa.