Título: Mercado prevê alta da inflação
Autor: Froufe, Célia
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/10/2008, Economia, p. B3

A disparada do dólar levou economistas a refazerem as contas para a inflação. A percepção é que o câmbio mais alto vai pressionar os preços nos próximos meses. Esse diagnóstico se refletiu na pesquisa semanal Focus divulgada ontem pelo Banco Central, na qual analistas de bancos aumentaram de 4,80% para 4,90% a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2009. Foi a primeira alta após cinco semanas de redução.

A pressão sobre os preços coloca uma dificuldade adicional para o BC, que na próxima semana decidirá a taxa básica de juros, a Selic, nos 45 dias seguintes. A Selic, atualmente de 13,75% ao ano, é o principal instrumento usado pelo BC para conduzir a inflação para a meta definida pelo governo. A despeito da pressão sobre a inflação, ganha força a previsão que o BC deve ser menos rígido com os juros nos próximos meses para não agravar o problema, considerado mais urgente, da falta de liquidez na economia.

A estimativa de alta dos preços abrange vários índices. A previsão para o IPCA em 2008 subiu de 6,20% para 6,23%. Já a previsão para o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), que reajusta boa parte das tarifas públicas e aluguéis, aumentou de 10,37% para 10,53%. ¿A inflação sobe porque é contaminada pelo câmbio. Essa transmissão nos preços demora algum tempo, não bate imediatamente¿, diz o economista Luis Fernando Azevedo, da Rosenberg & Associados.

O aumento do dólar se reflete inicialmente nos bens industriais importados ou com grande quantidade de peças produzidas no exterior. Depois, esse aumento de preços se dissemina no atacado e em bens duráveis - como automóveis e eletrodomésticos. ¿Essa dinâmica dura alguns meses¿, diz Azevedo.

Na Focus, a previsão para o dólar no fim de 2008 subiu de R$ 1,85 para R$ 1,90, na terceira elevação consecutiva. Apesar de mais alta que nas rodadas anteriores, a previsão indica espaço para queda de cerca de 10% em relação à cotação atual.

Analistas começam a rever o cenário para o juro. Na Focus, a Selic deve terminar 2008 em 14,5% ao ano, o que indica aumento de 0,50 ponto porcentual na reunião da próxima semana e elevação de 0,25 ponto em dezembro. A previsão é mais otimista que a da semana passada, quando prevalecia a aposta de duas altas de 0,50 ponto.