Título: Duração da crise vai definir ritmo da criação de vagas
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/10/2008, Economia, p. B5
O crescimento do emprego, especialmente do formal, é outra conquista do governo Lula nos últimos anos que pode ser afetada pela desaceleração prevista para 2009. Mais do que o ritmo da atividade econômica, porém, serão a duração e a intensidade das incertezas ligadas à crise financeira internacional que ditarão o desempenho do mercado de trabalho nos próximos anos.
¿Como a nossa economia está razoavelmente organizada, as empresas podem continuar empregando, mesmo com a desaceleração; mas, se a incerteza quanto ao futuro perdurar muito, aí sim o emprego será um pouco mais afetado¿, diz Luiz Eduardo Parreiras, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Os números mostram que um aumento do desemprego só acontecerá num quadro bem agudo de desaceleração. Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o emprego cresceu 3,3% ao ano, em média, de 2003 a 2007 e o emprego formal cresceu uma média de 5,9% no período. Para Parreiras, a tendência é que a população economicamente ativa (PEA) continue o seu ritmo de crescimento abaixo de 2%, e somente uma expansão do emprego inferior a esse nível aumentaria a taxa de desocupação.
No crédito, outro sucesso do governo Lula, a projeção de Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander, é de que o crescimento caia do ritmo anual de hoje, em torno de 35%, para algo entre 15% e 18%.