Título: Bush recebe Sarkozy e Durão para discutir a crise
Autor: Sant¿Anna,Lourival
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/10/2008, Economia, p. B12

O presidente George W. Bush reúne-se hoje com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o presidente da Comissão Européia José Manuel Durão Barroso, para discutir a atual crise financeira e uma estrutura global para evitar turbulências no futuro. Bush recebe os líderes europeus em Camp David, a casa de campo do presidente, que fica a duas horas de Washington. Participam da reunião também o secretário do Tesouro, Henry Paulson, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley.

Os líderes europeus chegam por volta das 16 horas, vão jantar com Bush e voltam para a Europa às 19 horas.

A idéia, lançada com a cooperação do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, é de reunir ainda este ano o G-8 (grupo das economias mais ricas do mundo), acrescido da participação de Brasil, China, Índia, África do Sul e México. Os emergentes já deixaram claro que não há como estabelecer um novo sistema sem eles. A França defende ainda a inclusão de um país árabe no grupo.

A Casa Branca tentou reduzir as expectativas em relação à reunião, mas os europeus esperam anunciar uma data para a reunião ampliada do G-8 em Nova York, depois da eleição americana, além dos próximos passos de colaboração entre os países para lidar com a crise.

Segundo a porta-voz do governo americano, Dana Perino, serão discutidas questões como transparência nos bancos, regras de contabilidade e nas agências de classificação de risco, regras de capitalização de bancos, avaliação de ativos e supervisão. ¿Precisamos estancar primeiro a hemorragia aqui. A menor das nossas preocupações é estabelecer uma data.¿ Ela afirmou que não espera nenhum anúncio amanhã.

Em 1944, em Bretton Woods, foram os americanos que tiveram de convencer os europeus de que era a hora de criar um novo sistema econômico internacional que pudesse estabelecer as bases para o período pós-2ª Guerra. O encontro marcou o fim da supremacia européia e o início da americana.

A partir de hoje, é a vez de os europeus convencerem Washington de que chegou a vez de começar a pensar numa conferência para criar, junto com os países emergentes, as novas regras do sistema financeiro mundial. Mas, dessa vez, os líderes europeus não terão apenas o trabalho de convencer qualquer outro país, e sim a maior economia do mundo, até agora referência de todas as decisões. O que muitos se questionam na Europa é se a Casa Branca estaria disposta a ceder sua soberania em prol de uma entidade multilateral que de fato possa controlar as atividades de instituições financeiras dos Estados Unidos, como o Citigroup.

Washington tentará de todas as formas evitar regras internacionais de regulação. Por essa razão, Bush vem levando o assunto de forma discreta. As embaixadas americanas na Europa são instruídas a não dar relevância demasiada ao assunto, pelo menos publicamente.

Para muitos, a aceitação de um ¿Bretton Woods 2¿ seria o fim da supremacia americana nas finanças. Para especialistas europeus, o que está em jogo não é apenas o poder dos Estados no sistema internacional, mas a capacidade do sistema de responder à crise e dar novas bases ao capitalismo.