Título: Sarkozy quer ficar mais tempo no comando da UE
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/10/2008, Economia, p. B3
A crise financeira e a perspectiva de uma recessão abrem uma turbulência política na União Européia.
Enquanto promete cooperação regional para enfrentar os problemas, o presidente da França e da UE até o final do ano, Nicolas Sarkozy, tenta convencer o bloco a criar um governo econômico para os mercados que usam o euro, de preferência liderado por ele mesmo até 2010.
Os ataques contra Sarkozy se espalharam pela Europa diante de sua tentativa de se manter no poder. Em sua edição de anteontem, o Financial Times chamou a iniciativa de criação de um governo econômico de um ¿golpe de estado¿ por parte do francês, que não quer deixar o poder. A Alemanha já mandou um recado: não aceitará o plano de ter um francês no comando do euro.Pelas regras da UE, cada país do bloco assume a presidência do grupo por seis meses. Sarkozy assumiu o cargo em julho.
A partir de janeiro, o comando fica com a República Tcheca e, em julho, com a Suécia. Mas com a crise, Sarkozy deixou claro que a UE precisaria de um órgão mais estável e com uma presidência de mais longo prazo.
Ontem, Paris convocou mais uma nova cúpula da UE para preparar as posições do bloco para a reunião em Washington entre as 20 maiores economias do mundo e, de quebra, reforçar a posição da França como líder no processo e a eventual candidatura de Sarkozy como presidente da Europa por mais tempo.
O plano dos franceses seria o de manter tchecos e suecos como presidentes da UE em 2009. Mas, como nenhum dos dois países usa o euro como moeda, um bloco separado seria estabelecido entre as 15 economias que usam a moeda única.Claro, com a França como cabeça do bloco.
A Alemanha já alertou que não apoiaria a proposta. No próximo dia 4 de novembro, os ministros de Finanças da UE vão se reunir e o tema estará na agenda. Se for aprovado, Sarkozy poderia se manter no poder do grupo até 2010, supostamente para dar continuidade ao processo de coordenação de uma resposta à crise.
Na quarta-feira passada, o jornal Le Monde revelou as ambições do presidente francês. A partir de 2010, a Espanha poderia assumir tanto a presidência da UE, como está previsto, como do novo governo econômico do bloco. Até lá, o francês tentaria convencer seus parceiros entre os 15 países a estabelecer fundos para ajudar empresas estratégicas e mesmo regras para o funcionamento de bônus nos bancos .
No dia 7, os líderes dos 27 países da UE se reúnem para fechar as propostas que França, Reino Unido, Alemanha e Itália levarão para o encontro em Washington destinado a ¿refundar¿ o sistema financeiro internacional. Paris já deixou claro suas propostas, que incluem até mesmo maiores restrições a bancos para operarem em paraísos fiscais e controles sobre fundos de hedge.