Título: Na Islândia, cresce apoio da população à entrada na UE
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/10/2008, Economia, p. B3
A crise que despedaçou a economia da Islândia, no norte da Europa, pode empurrar o país a solicitar seu ingresso na União Européia (UE). Pesquisa de opinião publicada ontem pelo jornal Frettabladid indica que 68,8% dos islandeses desejam que o país se candidate a ingressar no bloco econômico, hoje formado por 27 nações.
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Um porcentual maior, 72,5%, quer também a adoção do euro em substituição à coroa islandesa. A pesquisa revela o aumento do apoio interno à UE na ilha de 320 mil habitantes. Em setembro de 2007, 48,9% da população defendia a idéia e o primeiro-ministro, Geir Haard, contrário à iniciativa, não sofria pressões. Em fevereiro, com o início da crise no país, a fatia favorável havia subido para 55,1%.
Agora, o apoio é maciço também ao euro, que substituiria a moeda local, desvalorizada em 50% desde o aprofundamento da crise. Diante da resistência da coalizão governista - social-democratas defendem a candidatura, mas o partido de centro-direita, liderado por Haard, não aceita a hipótese -, 70% da população pede um referendo sobre o tema, segundo sondagem feita há dez dias pelo instituto Capacent-Gallup.
O jornal alemão Süddeutsche Zeitung exortou o gabinete islandês a rever sua posição contrária a Bruxelas. ¿O governo do primeiro-ministro Geir Haard desdenhou os apelos à adesão à UE, quando era previsível há vários meses que a Islândia, com sua pequena moeda e sua bolha bancária, acabaria no centro da crise¿, disse o editorial.
Em entrevista à agência France Presse, o comissário Europeu para a Ampliação, Olli Rehn, afirmou que a candidatura da Islândia seria analisada com celeridade. O país é membro do espaço econômico europeu e, portanto, não impõe barreiras alfandegárias à circulação de produtos. A UE já analisa as candidaturas da Turquia, da Croácia e da Macedônia.
O movimento pela adesão à UE vem à tona após o agravamento da crise no país, em setembro. Sustentada sobre o sistema bancário, a economia da Islândia vinha crescendo em média 4% ao ano. Até 2007, o acréscimo do Produto Interno Bruto era vigoroso, chegando a 4,9%. Mas o excesso de dívidas tornou o sistema bancário frágil.
Com o derretimento do preço dos títulos bancários nas bolsas, o governo nacionalizou os maiores bancos, como o Glitnir. A dívida das instituições, no entanto, é maior que a capacidade de pagamento do país e chegaria a nove vezes o PIB anual. O governo já recorreu a empréstimos dos governos da Rússia e da Noruega e acerta os detalhes para outro, de US$ 2 bilhões, do Fundo Monetário Internacional.