Título: Lula montará embaixada em Pyongyang
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/10/2008, Nacional, p. A5

Depois de abrir embaixadas em lugares exóticos, como Sri Lanka, o governo Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para montar uma representação diplomática em Pyongyang, capital da Coréia do Norte. A instalação foi decidida logo depois do retorno de uma missão do Itamaraty à Asia, que anotara o aval de Pequim e realizara consultas políticas com a diplomacia norte-coreana, em março.

A abertura não tem data marcada. Fontes da diplomacia argumentam que o governo brasileiro pretende ¿contribuir¿ com eventual transição do regime comunista norte-coreano e assumir um ¿papel moderador¿ nas relações de Pyongyang com a comunidade internacional, mesmo que esse país esteja distante da esfera de influência imediata de Brasília.

A abertura da embaixada em Pyongyang se dá em um momento de perspectivas de mudanças na Coréia do Norte. No dia 11, os Estados Unidos anunciaram a retirada do país - antes alardeado como membro do ¿eixo do mal¿ - da lista de nações que apóiam o terrorismo.

A iniciativa da Casa Branca foi resposta à decisão do líder norte-coreano, Kim Jong-Il, de dar continuidade ao desmantelamento do programa nuclear e um incentivo adicional para que a Coréia do Norte retome o acordo de desarmamento antes do fim do mandato de Bush, em janeiro de 2009.

TRANSIÇÃO

Regime fechado desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o governo coreano dá indicações de uma possível transição, conforme os modelos chinês e vietnamita, nos quais a abertura econômica seguiu passos mais acelerados que a política.

Nos últimos dias, a imprensa japonesa vem insistindo na afirmação de que o governo norte-coreano deverá anunciar em breve o sucessor de Kim Jong-Il, de 66 anos, cuja saúde estaria debilitada pelo diabetes e por problemas cardíacos. Kim está no poder desde 1994.

Parte do interesse brasileiro na Coréia do Norte foi insuflada pela leve abertura do regime de Kim Jong-Il aos investimentos da sul-coreana Hyundai Asan, do Grupo Hyundai, no setor turístico e no pólo de Gaeseong.

Fontes do Itamaraty informam que o conhecimento norte-coreano militar e nuclear, uma vez transposto para fins pacíficos, pode abrir oportunidades de negócios para companhias brasileiras. A presença de jazidas de minérios é outro foco de interesse, assim como o projeto de interligação ferroviária da Rússia à Coréia do Sul, passando pela Coréia do Norte, ainda em maturação.