Título: Intervenções do governo são um fator de força
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/10/2008, Economia, p. B6

Enquanto os mercados mundiais viviam mais um dia crítico por conta da crise financeira mundial, o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, recebia em Miami, nos Estados Unidos, o prêmio Financista do Ano, concedido pela revista Latin Trade, especializada no mundo dos negócios na América Latina.

E durante almoço com empresários brasileiros, autoridades e representantes de grandes corporações internacionais, repetiu o mantra de que o Brasil está atravessando a turbulência com segurança. ¿Vou frustrar aqueles que esperavam que eu chegasse aqui com novidades ou anúncios bombásticos¿, disse em rápida apresentação no Hotel Ritz Carlton.

Meirelles não negou, porém, que o governo brasileiro está preocupado com o desenrolar da crise. Mas enfatizou que tem confiança nas medidas que foram tomadas nos últimos seis anos. ¿Estamos menos dependentes às oscilações cambiais e fortalecidos pelo processo de ajuste fiscal e controle dos gastos públicos¿, afirmou. Ele admitiu que é difícil prever os movimentos futuros do mercado. Mesmo assim, reforçou que o governo está preparado para ajudar a economia. ¿No passado, as intervenções do governo representavam fraqueza, mas hoje são um fator de força.¿ Para ele, os bancos centrais ao redor do mundo estão tomando as decisões corretas para minimizar os efeitos da crise.

Em discurso bastante técnico, o presidente do BC apresentou algumas medidas que a instituição vem tomando desde que a crise começou, em especial a partir de meados de setembro, com a queda de grandes bancos americanos. Ele, no entanto, não quis se aprofundar em assuntos específicos, como as críticas da oposição à medida provisória 443 ou mesmo em relação à possibilidade de aumento dos juros, que poderá ser definida na próxima reunião do Comitê Político Monetário (Copom).

¿Não posso falar sobre tendências ou antecipar qualquer tema, pois no Copom temos essa diretriz de não adiantar nada uma semana antes da reunião¿, disse, referindo-se ao encontro da próxima semana em Brasília.

Ao ser apresentado por um dos organizadores do evento, Meirelles foi qualificado como um dos arquitetos da nova política econômica brasileira, que resultou numa reviravolta na história do País. ¿Ele agiu como um bombeiro, apagando o incêndio da inflação e das altas taxas de juros. Hoje, porém, o Brasil é a maior economia da América do Sul¿, disse Mike Zellner, diretor da Latin Trade. Meirelles deve voltar a Brasília ainda neste fim de semana.

OTIMISMO

Presente à palestra, o cônsul-geral do Brasil em Miami, Luiz Augusto de Araújo Castro, considerou a mensagem de Meirelles bastante positiva. ¿Dá para sentir que as autoridades financeiras brasileiras estão administrando a crise com muita responsabilidade e coerência, aliás como já vinham fazendo há algum tempo¿, disse. Gerente-geral do Banco do Brasil em Miami, Douglas Capela, foi outro a destacar que os fundamentos da economia brasileira estão sólidos e elogiou a disposição do presidente de Meirelles ir a Miami para receber a homenagem.

Do mesmo modo, Aloysio Vasconcellos, presidente do Brazilian Business Group, grupo de empresários brasileiros que atuam na Flórida, saiu do evento impressionado com a serenidade de Meirelles diante da crise. ¿Isso certamente dá mais segurança¿, opinou.