Título: Partidários de Obama festejam por antecipação
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/11/2008, Internacional, p. A12

A obamania está em todas as esquinas da cidade de Chicago. Ambulantes vendem camisetas já anunciando a vitória de Barack Obama. Milhares de pessoas vestem camisetas, bonés ou buttons do democrata. À noite, os arredores do Parque Grant recebeu 100 mil pessoas para ouvir o discurso de Obama após a votação. A maioria estava histérica e foi à loucura quando o democrata foi declarado eleito pelas redes de TV.

O parque estava cheio de policiais e várias ruas haviam sido bloqueadas. As filas para entrar na ¿festa da eleição¿ no parque se estendiam no começo da noite por 20 quarteirões. Muita gente havia vindo de longe para ver o candidato, que falaria na madrugada de hoje cercado por uma proteção blindada.

Terry McLane oferecia passagens aéreas ou livros autografados por Obama em troca de um ingresso para a festa no Grant. Ela circulava pela fila como um mulher-sanduíche, vestida com a placa: ¿De Seattle e sem o ingresso dourado para o comício - por favor, leve-me como seu convidado.¿

Terry é uma obamaníaca. Ela tem um emprego no departamento de assistência ao consumidor da Alaska Airlines, mas passa a maior parte de seu tempo indo a comícios de Obama. Em fevereiro, ela teve uma crise de choro ao ver Obama falar em sua cidade. ¿Eu entendi como ele é importante¿, contou. Desde então, já foi a 18 comícios do democrata. ¿Ganhei três abraços, 16 apertos de mão e ele já autografou dez livros para mim¿, disse Terry, que tem 41 anos e nunca tinha se importado com política.

Mesmo no meio do frenesi que tomou conta de Chicago no dia da eleição, os irmãos Tom e Daniel Krieglstein destacavam-se. Eles foram os primeiros a entrar na fila para o grande comício de Obama, às 19h30 do dia anterior. ¿Estou esperando há 18 horas¿, contou Tom.

Até quem não conseguiu ingresso precisava ficar na fila para entrar no espaço designado aos sem-ingresso. Maureseta Hawkins trouxe um cobertor e suprimentos: ¿Não fui na Marcha a Washington (de Martin Luther King) e resolvi que não ia perder mais um momento histórico¿, disse. Mary Ann Smith vai fazer uma festa da eleição para 15 pessoas em sua casa, a poucos quarteirões do parque: ¿Comprei um champanhe de US$ 45 para comemorar.¿

Obama votou às 7h35 numa escola perto de sua casa, no bairro de Hyde Park,em Chicago, acompanhado de sua mulher, Michelle, e de suas filhas, Sasha e Malia, enquanto o candidato a vice-presidente, Joe Biden, votou em Wilmington, Delaware. Obama, que costuma acordar às 6 horas para se exercitar, parecia bem disposto. Ao redor da escola, cerca de 50 pessoas tiravam fotos com seus celulares.

Obama e Michelle votaram ao mesmo tempo em urnas vizinhas. Ao dar sua cédula de papel para a fiscal passar pelo leitor ótico da urna, o senador brincou: ¿Espero que funcione. Vou ficar muito envergonhado se não funcionar.¿ Questionado se estava emocionado por causa do final da campanha, ele respondeu que saberia esperar. ¿Tenho certeza de que vou ficar emocionado hoje à noite, quando fecharem as urnas¿, disse.

Obama brincou que estava preocupado com o voto de sua mulher. ¿Notei que a Michelle demorou muito - tive de checar para ver em quem ela estava votando.¿

Às 7 horas, o radical William Ayers, ex-integrante do grupo Weather Underground, votou na mesma escola. A ligação de Obama com Ayers - os dois participavam do conselho de uma entidade filantrópica e Ayers fez uma festa para Obama - serviu de base para um dos ataques republicanos contra o democrata.

Depois de votar, Obama voou para Indianápolis, onde ficaria por duas horas para um comício rápido. Ele passou a tarde dando entrevistas e jogou basquete com amigos em Chicago antes de ir para o Parque Grant.