Título: É evidente que modelo está esgotado
Autor: Formenti, Lígia
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/11/2008, Nacional, p. A6
O modelo de atenção à saúde indígena está esgotado, diz o coordenador do Projeto Xingu, Douglas Rodrigues. Para ele, o sistema de convênios impede a continuidade das políticas de prevenção, há crônico atraso no pagamento das prestações e falta compromisso com a qualidade dos serviços. ¿Não há cobrança pela melhoria dos indicadores de saúde. As dúvidas sempre giram em torno das questões burocráticas¿, garante. A seguir, trechos da entrevista:
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a Funasa é corrupta e tem baixa qualidade nos serviços. O senhor concorda?
Sobre corrupção, não tenho elementos para fazer comentários. Com relação à qualidade, é inegável que há muito o que melhorar. Os indicadores falam por si só.
A situação melhoraria se a responsabilidade pela saúde indígena fosse para o Ministério da Saúde?
O debate está muito contaminado por interesses políticos. É evidente que o modelo atual está esgotado. Talvez a proposta do ministério seja interessante.
Por que o modelo se esgotou?
Quando a Funasa assumiu, havia total desassistência. Qualquer ação apresentava impacto. Passado este momento, é preciso perseguir a qualidade. Mas os convênios não ajudam. A rotatividade acaba levando à descontinuidade das ações de saúde. Não é raro o atraso nos repasses. A compra de medicamentos não funciona.
Qual modelo seria o ideal, então?
Há críticas à atuação das Oscips (Organizações Sociais Civis de Interesse Público). Mas o que vejo são experiências muito bem estruturadas. Talvez este modelo possa ser discutido. É preciso um modelo que permita agilidade, flexibilidade e cobrança de resultados.
E isso não ocorre?
Não. A cobrança é voltada à análise burocrática de números, de verbas. Ninguém quer saber dos índices de mortalidade, desnutrição.