Título: Não podemos perder a mão da revolução
Autor: Costas, Ruth
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/11/2008, Internacional, p. A14

Atual prefeito de Maracaibo, Gian Carlo Di Martino, é a principal aposta do chavismo para vencer em Zulia, Estado que produz 80% do petróleo venezuelano e é o maior reduto da oposição. Após dois mandatos como prefeito (no primeiro, foi eleito como opositor), ele disputa o governo estadual contra Pablo Pérez, candidato do líder opositor Manuel Rosales. A seguir, a entrevista que o prefeito concedeu ao Estado.

O que o senhor acha da ameaça de Chávez de não repassar recursos a Zulia caso a oposição vença aqui?

Basta ir para o interior de Zulia para perceber o abandono em que se encontram muitos municípios. Devemos assumir o controle com firmeza para não perdermos a mão da revolução. Se repassarmos recursos para que eles (opositores) os empreguem na campanha, ou mais tarde, em caso de vitória de Rosales, para que ele se projete à presidência, estaríamos jogando contra nós mesmos, não?

Os habitantes de Zulia não podem voltar-se contra o governo central se lhes faltar dinheiro para serviços públicos?

Não. Estamos falando de recursos extraordinários. Os recursos que correspondem a Zulia (segundo porcentagens estipuladas pela Constituição) são repassados. Mas, por exemplo, um recurso para fazer uma ponte pode ser destinado à PDVSA, que se encarregaria da obra. O governo regional já recebeu dinheiro para fazer escolas que nunca saíram do papel.

Porque é importante que o chavismo ganhe no Estado?

Zulia tem um significado importante pela presença da oposição. Contudo, para nós também é crucial dar estabilidade ao processo revolucionário em cada um dos municípios e Estados do país.

Quais são seus projetos para Zulia?

Vamos aprofundar a revolução. Até agora, tem sido muito dura a relação com esse governador conspirador (Rosales), que tem dificultado o desenvolvimento do Estado. Somos os primeiros produtores de leite e carne da Venezuela, mas não há investimentos suficientes para expandir a produção.

Por que o chavismo até agora não ganhou no Estado?

Pelas divisões internas que havia no movimento. Agora, estamos mais unidos e maduros, dispostos a aceitar críticas, que é algo muito importante.

O senhor foi eleito num primeiro momento pela oposição...

Sempre fui socialista. Governava junto com Rosales, mas sempre ao lado de Chávez. Quando Rosales seguiu um rumo oposto, fiquei com o presidente porque concordo com seu projeto de transformar uma sociedade capitalista em uma sociedade socialista e humanista.