Título: Ação contra a dengue falha em S. Sebastião
Autor: Mendes, Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/11/2008, Vida &, p. A16
O autônomo Edivã Conceição Santos, de 40 anos, é um dos moradores da Rua das Árvores, na praia de Boiçucanga, em São Sebastião, que teve dengue este ano. ¿Aqui na rua todo mundo pegou¿, conta Santos, que por causa da doença ficou uma semana de cama em março.
Em todo o município, 95 pessoas foram infectadas pelo Aedes aegypti desde janeiro. Apesar de o número ser inferior ao do ano passado (132 casos) e dos 476 registrados em 2006, São Sebastião foi considerado em situação de alerta de acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) que identifica os criadouros predominantes e a situação de infestação. O município obteve o pior índice do Estado de São Paulo: 2,8%, o que significa que a cada 100 casas pesquisadas, aproximadamente três estão infestadas pelo mosquito. Os dados que fundamentam o Liraa foram colhidos apenas nas áreas norte e central, entre os bairros do Canto do Mar e Varadouro.
Com 120 km de extensão ao longo da costa norte do litoral paulista, a orientação sobre dengue é considerada precária por moradores do sul do município, onde ficam praias como Maresias, Boiçucanga, Barra do Una e Juquehy.
Em Camburi, o ajudante de pedreiro Tiago dos Santos Zonato, de 22 anos, afirmou que nunca recebeu a visita de um agente da prefeitura em sua casa para ensinar como evitar a proliferação do mosquito transmissor. Por conta própria, o jovem aterrou uma poça formada na rua de terra pela água da chuva.
Em Juquehy, a dona de casa Efigenia do Nascimento, de 22 anos, afirma que a última vez que um agente esteve em sua casa foi em junho. ¿Eles dizem que não pode deixar lixo acumulando água, mas os cachorros e gatos espalham tudo à noite.¿ Segundo ela, a coleta de lixo ocorre diariamente. Porém, em frente de sua casa, na altura do km 178 da Rodovia Rio-Santos, havia diversos sacos de lixo, além de garrafas e entulho espalhados no acostamento. ¿O lixeiro já passou hoje, não sei por que não recolheram.¿
Em nota, a prefeitura de São Sebastião informou que a equipe de combate a endemias recolhe em média 2 mil sacos de criadouros por semana.
ITABUNA
Segundo o Liraa, Itabuna (BA), 429 quilômetros ao sul de Salvador, é, pela segunda vez, a cidade brasileira com maior infestação predial pelo mosquito transmissor da dengue. Na cidade, 15,6% das construções apresentam larvas do inseto - em 2006, quando o município também liderou o levantamento nacional, a taxa de infestação era de 17%. A partir de 4% já há risco de surto.
Para explicar a situação, o secretário de Saúde do município, Jesuíno de Souza Oliveira, alega que Itabuna, administrada pelo DEM, é prejudicada pelos governos federal e estadual, do PT. Ele ressalta que há um mês - quando o Liraa do município já registrava 12,3% -, a prefeitura perdeu o direito de receber R$ 587,7 mil extras da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) para ações de combate à dengue por sugestão da Comissão Intergestores Bipartite da Bahia (CIB-Bahia), coordenada pelo secretário estadual de Saúde, Jorge Solla. ¿O secretário não levou em conta a necessidade de manter o repasse para municípios de maior risco. Há áreas na cidade, em especial na periferia, que têm índices de infestação acima de 20%.¿ Comunicado da prefeitura de Itabuna, município de 210 mil habitantes, informa que está sendo preparado um plano emergencial de combate à doença, que fez 1.631 vítimas entre janeiro e a primeira semana de novembro.
A Secretaria de Saúde do Estado, também por meio de nota, rebateu as acusações da prefeitura: ¿Em nenhum momento a Secretaria da Saúde do Estado discriminou qualquer gestor municipal.¿ Segundo a pasta, a exclusão foi respaldada no fato de o município não apresentar plano de contingência.