Título: Investimento no pré-sal combate a crise, diz Dilma
Autor: Pamplona, Nicola; Lima, Kelly
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/11/2008, Economia, p. B3
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que os investimentos no pré-sal configuram ¿um dos principais fatores anticrise no Brasil¿. ¿A nossa decisão de manter os investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e do pré-sal é eminentemente anticíclica e, mais que isso, estamos possibilitando que o Brasil aproveite a oportunidade da crise para se sair melhor¿, afirmou a ministra, para quem ¿o pior da crise já passou¿.
Dilma e o diretor de exploração e produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, declararam que, apesar da crise e da queda do preço do petróleo - que em quatro meses passou de US$ 145, em julho, para US$ 49, 19, anteontem - não há planos de adiar os projetos do pré-sal.
¿Toda a programação está mantida, não tem nenhum tipo de mudança¿, frisou Estrella, que esteve com a ministra na entrega, à diretora de gás e energia da estatal, Graça Foster, do prêmio Equilibrista do Ano, do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças.
Segundo a ministra, a decisão de manter os investimentos tem objetivo de ¿impedir que a crise econômica, que não surgiu no nosso seio, traga efeitos dramáticos para o País¿. ¿Não adianta ficar imobilizado diante da crise. Quem tiver investimentos novos vai sair na frente, e é absolutamente imprescindível que este País invista não somente na indústria do petróleo, mas num modelo que vise ao crescimento industrial.¿
Dilma disse que a Petrobrás pode concluir seu plano de investimentos para os próximos cinco anos em reunião de Conselho de Administração, marcada para o dia 28. Inicialmente prevista para agosto, a divulgação do plano foi adiada quatro vezes, e a expectativa agora é que ocorra na primeira quinzena de dezembro. A empresa alega que esperava maiores definições sobre dois pontos-chave na elaboração do plano: o preço do petróleo e a taxa de câmbio.
Contrariando expectativas de analistas, a ministra avalia que ¿o pior da crise econômica já passou¿. ¿Atravessamos uma turbulência, mas a crise entrou numa nova fase¿, comentou. Segundo seu raciocínio, as medidas tomadas pelos bancos centrais já estão surtindo efeito, não há mais perspectivas de grandes falências e o governo brasileiro agiu na hora certa com medidas eficazes para impedir grandes efeitos.
¿A grande diferença com relação a outras crises é que agora o Brasil não quebrou. Em outras vezes, o governo era parte do problema, ao invés de ser parte da solução¿, comparou a ministra. Para ela, o melhor caminho agora é apostar a ampliação do mercado interno e nas exportações para países em desenvolvimento, menos afetados pela crise, que hoje representam 50% das vendas brasileiras no exterior.