Título: Otan veta plano de adesão de Geórgia e Ucrânia
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/12/2008, Internacional, p. A12

Reunidos ontem em Bruxelas, os ministros das Relações Exteriores dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) negaram à Ucrânia e à Geórgia o chamado Plano de Ação para Adesão (MAP, na sigla em inglês), considerado o primeiro passo para a entrada na aliança militar.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, reconheceu os esforços dos dois países, mas disse que ucranianos e georgianos ainda têm ¿muito trabalho a fazer¿ antes da adesão. As negociações com Kiev e Tbilisi, no entanto, continuam.

No fim de semana, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, defendeu a entrada do país na Otan em artigo para o jornal International Herald Tribune. ¿A insatisfação de terceiros não pode ser um sinal para a aliança desistir de seus princípios básicos¿, escreveu Yushchenko, em referência à posição da Rússia, que é contra a entrada de duas ex-repúblicas soviéticas na Otan.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, também escreveu um artigo, publicado ontem no jornal Wall Street Journal, pedindo que o Ocidente ¿jogue duro¿ com a Rússia. ¿Se a resposta internacional não for firme, Moscou tomará outras atitudes para redesenhar o mapa da região pela intimidação ou pela força¿, disse.

A Rússia, de fato, é o maior obstáculo para a adesão de Ucrânia e Geórgia. Os governos europeus não têm demonstrado a mesma empolgação do governo americano, que pressiona pela adesão dos dois países à Otan.

Alguns países da União Européia não estão dispostos a colocar em risco suas boas relações com Moscou em nome da expansão da aliança militar. Além disso, expandir a Otan na direção de uma nação em pé de guerra com a Rússia - a Geórgia - e de outra constantemente ameaçada por ela - a Ucrânia - poderia arrastar os membros da aliança a um eventual confronto armado com Moscou.

Para os europeus, outra razão para não irritar demais os russos é que a atuação do Kremlin é considerada fundamental para tentar acabar com as pretensões nucleares do Irã. Além disso, a Europa ainda é dependente da energia russa, principalmente do gás.

A cautela em aceitar ambos os países na Otan passa também pela popularidade dos dois presidentes - Yushchenko e Saakashvili - que, aparentemente, enfrentam problemas internos. A maioria dos ucranianos já se declarou contra a adesão do país à Otan, assim como muitos georgianos começam a questionar a liderança de Saakashvili.

APROXIMAÇÃO

Ainda na reunião de ontem, a Otan concordou em retomar de forma ¿condicional¿ e ¿progressiva¿ seus contatos com a Rússia, suspensos desde a crise na Geórgia. Os contatos com a Rússia não terão o nível normal, segundo a Otan, mas isso não significa que não haja qualquer relação. ¿Somos aliados em assuntos como o programa nuclear do Irã e a luta contra o terrorismo¿, afirmou Hoop Scheffer.