Título: Plano era repetir o 11/9 na Índia
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/11/2008, Internacional, p. A14
Os militantes que lançaram os ataques a Mumbai almejavam ficar na história ao lançar, no centro financeiro da Índia, uma ofensiva que ficasse conhecida como o 11 de Setembro do país. Outra fonte de inspiração dos terroristas foi o ataque a bomba realizado contra o hotel Marriott de Islamabad, no Paquistão, que deixou 55 mortos.
O plano ambicioso foi descrito por um militante capturado - um jovem bem barbeado, fluente em inglês, de 21 anos. ¿A idéia era repetir no Taj o episódio do Marriott¿, teria dito à polícia, conforme noticiou uma TV local. O objetivo era claro: destruir grandes símbolos de poder econômico, de maneira que não pudessem ser reconstruídos.
Cada detalhe dos ataques a Mumbai foi cuidadosamente planejado. Os terroristas, dez, segundo estimativas do governo, chegaram de barco, roubaram carros (incluindo uma van da polícia) e se dividiram em grupos. Há indícios de que alguns teriam se hospedado com antecedência nos hotéis Taj Mahal e Oberoi para filmar sua configuração interna. Carregavam em suas malas frutas secas e amêndoas, alimentos de pouco volume, longa validade e ricos em nutrientes. Além de granadas, metralhadoras e fuzis de uso militar, como a AK-47.
Ontem, detalhes sórdidos dos ataques surgiram dos relatos de testemunhas. Da Casa Nariman, os terroristas atiravam indiscriminadamente em quem passasse na rua. No Oberoi, eles telefonavam para os quartos. Quem atendesse, morria. No Taj, eles foram de quarto em quarto, arrombaram as portas e mataram os hóspedes, um por um, à queima-roupa.
Autoridades indianas suspeitam que os primeiros ataques, ao Café Leopold e à estação de trem, serviram para atrair a atenção da polícia para a ação nos hotéis. Diante da contagem de corpos, o governo começa a reavaliar a tese de que o alvo principal eram cidadãos ocidentais, principalmente americanos e britânicos. ¿Aparentemente, eles queriam matar quem aparecesse pela frente e fazer o maior número de vítimas possível¿, disse um militar indiano.