Título: Sul-africano morto no Rio teve febre maculosa, diz Fiocruz
Autor: Chiarini, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/12/2008, Vida &, p. A15

Exames da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram como febre maculosa a doença hemorrágica que matou na última terça-feira no Rio o engenheiro sul-africano William Charles Erasmus. Ele chegou no dia 23 de novembro ao País, já infectado, segundo especialistas da Fiocruz que investigaram o caso.

Foram descartadas todas as hipóteses anteriores, inclusive a de contaminação por arenavírus, que provocou mortes na África do Sul, de onde vinha Erasmus, e que continua sem registro no Brasil, informou o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage.

Já a febre maculosa, causada pela bactéria do gênero Rickettsia, teve 641 casos registrados no País entre 1997 e 2008, principalmente nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio. A doença é transmitida por carrapatos, não de pessoa a pessoa.

Foram investigadas 101 pessoas que estiveram em contato com Erasmus. Dessas, 25 estavam sendo monitoradas porque tiveram contato com secreções corporais do engenheiro. ¿A partir de hoje o monitoramento está suspenso¿, disse Hage.

Segundo Elba Lemos, pesquisadora da Fiocruz e responsável pelos exames, o engenheiro chegou a ser medicado com um antibiótico para a febre maculosa na Casa de Saúde São José, onde morreu. Elba comentou também que a febre maculosa é de difícil diagnóstico, porque o quadro inicial de sintomas, com febre, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos, é comum a diversas doenças.

Segundo Hage e Elba, Erasmus começou a apresentar os primeiros sintomas no dia 25, foi internado no dia 29, no dia 1º de dezembro começou a tomar o antibiótico para febre maculosa e morreu no dia 2.

LETALIDADE

A bactéria Rickettsia causa lesões nas paredes dos vasos sanguíneos e pode ir para qualquer órgão ou tecido humano. Existem mais de 20 tipos de Rickettsia que podem causar a doença, sendo que o mais comum no Brasil é o Rickettsia rickettsii. Não se sabe se o carrapato que causou o problema veio na bagagem do sul-africano.

Em 2007, houve 106 casos de febre maculosa no Brasil e, em 2008, outros 30. ¿A letalidade média é em torno de 30%¿, informou o vice-presidente de Serviços de Referência da Fiocruz, Ary Carvalho de Miranda.

COLABOROU TALITA FIGUEIREDO