Título: Operações sob suspeita totalizam R$ 29 milhões
Autor: Almeida, Roberto
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/12/2008, Nacional, p. A10
A corretora Bônus Banval, da qual foi sócio o empresário Enivaldo Quadrado, preso pela Polícia Federal na madrugada de sábado com 361 mil euros escondidos, foi acusada de participar de operações suspeitas e escândalos envolvendo órgãos públicos e políticos que somam pelo menos R$ 29,4 milhões. A corretora foi alvo do Ministério Público, do Ministério da Previdência e da CPI dos Correios.
Na ação penal que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual Quadrado é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, a Bônus Banval é suspeita de ter auxiliado na lavagem de R$ 1,2 milhão em propinas destinadas a garantir o apoio do PP ao governo.
A corretora também foi citada no relatório da CPI dos Correios como uma das participantes de operações de compra e venda de títulos que teriam causado perdas de R$ 14,8 milhões ao patrimônio de fundos de pensão de empresas estatais.
A Bônus Banval aparece ainda em dezenas de relatórios de auditoria do Ministério da Previdência Social, como intermediária em operações de compra e venda de títulos públicos federais a preços fora do padrão do mercado, realizadas para institutos de aposentadoria municipais ligados a diversas prefeituras entre 2004 e 2007. A investigação do Ministério Público e da Polícia Federal estima prejuízos de R$ 13,4 milhões impostos a pelo menos dezoito fundos municipais, a maioria ligada a prefeituras paulistas.
Por conta da acusação de envolvimento no esquema de compra de votos do mensalão, Quadrado também foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça Federal em Brasília em 2007, junto com outras vinte e sete pessoas, por atos de improbidade contra a administração pública.
O Ministério Público apontou Quadrado como integrante de uma ¿quadrilha autônoma¿ dedicada a dissimular ¿origem, natureza e destino dos recursos¿ usados para o pagamento de propinas a parlamentares da base do governo no mensalão.
Segundo os procuradores, diversos repasses, no total de R$ 1,2 milhão, liberados pelo publicitário Marcos Valério, foram para a conta da empresa Bônus Banval. Depois, a propina teria sido transferida ¿aos destinatários reais do esquema¿.
Em depoimentos incluídos pelo Ministério Público na ação que denuncia o mensalão, Marcos Valério declarou ter participado de reuniões com Quadrado e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, na sede do partido em São Paulo para discutir repasses ao PP. Quadrado negou na CPI todas as irregularidades e se defende na Justiça das acusações do Ministério Público.