Título: Araçatuba e Santos: contraste
Autor: Leite, Fabiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/12/2008, Vida &, p. A18
A baixa qualidade da saúde pública em Araçatuba provoca casos como o do garoto Gustavo Lopes, de 10 anos. Na segunda-feira passada, seus pais, a dona de casa Márcia Coelho e o funcionário público estadual Antônio Lopes, passaram o dia e a noite no pronto-socorro particular da Santa Casa, com o filho sofrendo com vômitos, dor de cabeça e febre alta.
¿Chegamos por volta das 10 horas e saímos às 15 horas; deram soro e pronto¿, conta Antônio. Os três tiveram de retornar às 20 horas. ¿Fomos atendidos às 22h30 e deixamos o hospital às 4 horas da madrugada; o médico disse que não era nada grave.¿ Mas Gustavo voltou a passar mal e a família retornou na manhã seguinte, quando exames foram feitos e ficou constatado que o garoto tinha contraído meningite viral. Na tarde de sexta-feira, sua condição clínica era estável. ¿Ele está melhorando, mas acho que se fôssemos atendidos antes, a situação era outra, ele estaria bem melhor¿, afirma Márcia.
Enquanto a Santa Casa busca modernizar sua gestão para assumir o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) que o governo estadual prometeu implantar a partir do dia 15 deste mês - mas que, segundo o diretor-clínico Sérgio Smolentzov, só ficará pronta ¿em oito meses ou um ano¿ -, pacientes como a dona de casa Orlandina Brito são obrigados a esperar por seis meses ou mais por uma consulta de especialista pelo SUS. No caso de Orlandina, quando ela conseguiu marcar o retorno, os exames que o médico tinha pedido estavam vencidos.
Em Santos, que obteve um dos melhores índices no estudo, a situação é diferente. A dona de casa Irani Mota, de 55 anos, atualmente faz tratamento ginecológico na UBS do Campo Grande e foi encaminhada pela unidade para o ambulatório de especialidades, onde trata um problema neurológico. ¿Eu gosto, mas tem diferença de uma policlínica (UBS) para outra, gostava mais dos médicos da policlínica do Marapé¿, afirma a dona de casa, que não pensaria duas vezes em ter um plano de saúde se pudesse.
Já a manicure Sandra Maria do Nascimento, de 40 anos, não vê necessidade de pagar um plano privado. ¿Sou muito bem atendida aqui na policlínica do Rádio Clube. Venho ao ginecologista, clínico-geral, dentista, tudo aqui. Fiz dois pré-natais e tive meus filhos na Santa Casa e na Maternidade Silvério Fontes. Foi tudo ótimo.¿