Título: Na reserva, escola de acabamento impecável
Autor: Escobar, Herton
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/12/2008, Vida &, p. A23

O dinheiro investido no Juma pelo Marriott e pelo Bolsa-Floresta será usado na construção de escolas, alojamentos, enfermarias, postos de fiscalização ambiental e outras obras de infra-estrutura básica, distribuídas pelas 22 comunidades da reserva.

É aí que entram a escola, o playground, o computador e a TV de 42 polegadas da comunidade Boa Frente, para onde a professora Deise dos Santos Buzaglo se mudou há dois anos. O prédio é de dar inveja a muitos colégios de cidade grande: com piso de jatobá e paredes de cumaru, uma madeira vermelha e dura - ¿que não entra bicho¿, segundo um dos carpinteiros -, duas salas de aula, cozinha, banheiro, rede elétrica completa e belas cadeiras artesanais, produzidas na comunidade.

O acabamento é impecável, garantido por uma equipe de carpinteiros locais, que recebem salário da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) pelo trabalho. Um deles, Inácio Soriano Alves, é o primeiro a pegar no microfone quando o Skype é ligado pela primeira vez. ¿Faz uma semana que a gente não tem material pra trabalhar, caboclo¿, esbraveja com o gestor de obras José Coelho, que está do outro lado da tela, no escritório da FAS, em Manaus. Parte das construções é feita com madeira da floresta local, parte com madeira trazida de Novo Aripuanã, cinco horas rio abaixo.

A escola está quase pronta, mas falta um posto de saúde, centro comunitário e alojamentos para os alunos que virão de longe. O ensino será no sistema de alternância - uma semana na escola e uma semana em casa.