Título: Presidente da Infraero volta a criticar privatização
Autor: Pereira,Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/12/2008, Economia, p. B1
A cinco dias de passar o cargo de presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) ao brigadeiro-do-ar e diretor da Infraero Cleonilson Nicácio Silva, Sérgio Gaudenzi voltou a criticar duramente o projeto de privatização dos aeroportos brasileiros e explicou o motivo de seu pedido de demissão.
¿Eu disse ao ministro (da Defesa, Nelson Jobim): 'Eu não vou ter entusiasmo nenhum em comandar um processo (as privatizações) com o qual eu não concordo'¿, afirma. ¿Como eu não sabotaria uma decisão do governo, achei por bem pedir meu afastamento.¿ Gaudenzi concorda que a Infraero é ¿altamente burocratizada¿ mas afirma que a simples venda dos aeroportos ¿não é o caminho.¿
¿Sugeri a abertura de capital da empresa, algo da forma como funciona a Petrobrás¿, conta o presidente demissionário. ¿Começamos a elaborar estudos que indicavam que essa seria uma boa alternativa para oxigenar a empresa. Apesar disso, o governo decidiu seguir a linha da privatização.¿
De acordo com Gaudenzi, o modelo de venda dos aeroportos, em vez de melhorar a malha aeroviária, tende a colocar em risco boa parte da infra-estrutura do setor no País. ¿Hoje, administramos 67 aeroportos, dos quais dez dão lucro, dez operam em equilíbrio e 47 dão prejuízo¿, afirma. ¿Essa maioria é formada por aeroportos que não têm como deixar de ser deficitários e têm de continuar existindo. Em Tefé (AM), o aeroporto é praticamente a única forma de as pessoas chegarem e saírem¿, exemplifica.
O administrador explica que é dos recursos provenientes dos aeroportos lucrativos que sai a verba para financiar as obras nos terminais menores. ¿Toda a operação da Infraero funciona bem por causa do caixa único da empresa¿, afirma. ¿Se a gente começa a vender os aeroportos grandes, que dão lucro, como o de Viracopos, em Campinas, e o do Galeão, no Rio (que já contam com projetos de privatização), ficamos sem ter como operar os deficitários.¿