Título: Pesca é a que mais sofre com danos ambientais
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/12/2008, Vida&, p. A26

Segundo o estudo do IBGE, 22,1% dos municípios apontaram queda na quantidade de peixes

O IBGE avaliou o impacto de problemas ambientais nas atividades agrícola, pecuária e de pesca. O mais alto foi na pesca, citada por 22,1% dos municípios. Mais uma vez, o efeito foi mais forte no Norte: 39,2% dos municípios daquela região apontaram redução da quantidade e diversidade de peixes como conseqüência de problemas ambientais.

A maior parte dos 522 municípios que não registraram problemas ambientais fica em Estados do centro-sul, como Minas, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, mas predominam os de pequena população. Entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, apenas Porto Alegre (RS) informou não ter enfrentado conseqüências ambientais de grande impacto. Sete cidades informaram ter sofrido com todos os problemas listados, entre elas Marabá (PA) e Santa Maria da Serra (SP).

Pedro Jacobi, professor da Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP, vê nas grandes cidades do centro-sul a tendência de tratar problemas ambientais como parte da normalidade. ¿A palavra impacto talvez não seja adequada para problemas que atingem as cidades há muito tempo. É preocupante quando lixões, parques e áreas verdes sem conservação, falta de esgoto e poluição de rios não são vistos como problemas. São Paulo, por exemplo, é insustentável. Catalisadores podem reduzir emissões industriais, mas ninguém argumenta claramente sobre o ar ao planejar o transporte. Só se fala de congestionamento, como se a poluição fosse normal.¿ Ele chama a atenção para o grande número de conselhos ambientais sem poder real, controlados pelos prefeitos.

REPRESSÃO À PESCA ILEGAL

A Secretaria de Meio Ambiente de Marabá (Semma), no sudeste do Pará, reforçou com 30 agentes e pilotos de embarcações o combate à pesca ilegal, feita principalmente no período de reprodução dos peixes, a piracema. O resultado começa a surgir: houve queda de 40% na atividade ilegal e apreensão de 15 toneladas de peixes, a maioria filhotes, que seriam vendidos em comunidades pobres da região. Outros 10 mil metros de redes de pesca foram apreendidos.

Segundo a pesquisa de informações básicas municipais do IBGE a Semma tem recursos, pessoal e disposição para combater problemas ambientais, mas esbarra na falta de estrutura dos 38 municípios da região. ¿Dá pena ver tantos peixes pequenos, que não servem para consumo, serem pescados na piracema. Temos combatido a pesca ilegal, mas a região é enorme e sempre há inúmeras rotas de fuga dos criminosos¿, explica o secretário da Semma, José Scherer. Ele diz que o órgão irá intensificar suas ações contra a destruição da mata ciliar no município, que já afeta os Rios Tocantins e Itacaiúnas, com enchentes cada vez maiores.

Para Scherer, a maior responsabilidade pelo desmatamento na cabeceira dos rios é a agricultura familiar nos assentamentos da região. As campanhas de educação ambiental jusão importantes, mas, segundo o secretário, sozinhas ¿não bastam¿ para coibir a destruição da mata.